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Guiné: Jovens portugueses optam por Bissau para viver

Terça-Feira, 23 Fevereiro de 2010

Têm entre 29 e 33 anos e não conseguem explicar claramente porque optaram por viver em Bissau, capital da Guiné-Bissau. Mas acreditam que a cidade pode oferecer uma "vida boa e saudável" onde é "mais fácil trabalhar com gosto", apesar do emprego ser precário. Vanda Medeiros, Marta Ceitil e Diogo Costa Cabral aconselham a quem pretende ir para o país, que não hesite em experimentar.

Os três jovens portugueses não sabem exactamente porque escolheram a Guiné-Bissau, mas garantiram à Agência Lusa que a opção não foi feita com base na tentativa de "salvar o mundo".

"A opção era trabalhar em Portugal, mas a Guiné apareceu na minha vida", explicou Vanda Medeiros, 33 anos, licenciada em Filosofia. Em Bissau desde 2002, Vanda já fez de tudo um pouco, desde observação eleitoral, até à formação de professores.

Actualmente trabalha com uma organização governamental espanhola, mas já esteve um ano e meio numa ilha do arquipélago dos Bijagós a trabalhar com um padre num projecto de alfabetização e a ganhar 300 euros por mês.

Para Diogo Costa Cabral, 32 anos, licenciado em gestão e com um mestrado em desenvolvimento e ajuda humanitária, as coisas não foram muito diferentes. Chegou à Guiné em 2002 no âmbito de um projecto de Verão, mas acabou por ficar, deixando para trás uma carreira numa corretora. "Acabo sempre por voltar para a Guiné por razões que não sei explicar", disse à Lusa. "Eu levo uma boa vida em Bissau. Não digo que em Portugal não levasse, mas era mais difícil. É claro que é difícil estar longe da família e dos amigos, mas temos uma coisa que em Portugal não temos que é tempo", explicou Diogo Costa Cabral. Sublinhou entretanto, que "mesmo sem ganhar muito dinheiro" consegue manter uma vida boa, saudável e divertida", apesar de hoje em dia já se preocupar em ter casa e a pensar na reforma.

Para Marta Ceitil, a relação com a Guiné-Bissau começou com as férias. Veio três vezes de férias para o país e começou a ficar "interessada e deu-se o verdadeiro clique". "Estava a trabalhar na Roff e estava cansada. O trabalho não me fazia muito sentido", explicou à Lusa.

Apesar de não ser "mais fácil arranjar trabalho", destaca que "é mais fácil trabalhar com gosto na Guiné". "Em Lisboa não faço a diferença e na Guiné acho que o nosso trabalho faz a diferença e temos liberdade para dar asas à criação. Não há limites à criatividade", acrescentou Vanda Medeiros.

Para as famílias dos três jovens, a decisão passou de estranha a aceite na totalidade e todos afirmam ter o "apoio" necessário. "Eu tinha um futuro promissor e foi um bocadinho complicado largar o trabalho em Lisboa. Ao princípio estava com medo de contar e dizer ‘mãe, pai, vou para a Guiné e vou despedir-me' e surpreendentemente apoiaram-me e estão super orgulhosos", afirmou Marta Ceitil.

Os três jovens portugueses aconselham a quem pretende ir para o país, que não hesite em experimentar.

"É preciso vir sem ser com o espírito de vir ajudar todos. Perceber que nós não estamos cá para ajudar ninguém. Assim como ajudamos, somos ajudados", finalizou Vanda Medeiros.



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