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ComunidadesLuso-venezuelanos querem manter viva a ligação a PortugalTerça-Feira, 23 Fevereiro de 2010
Fundado em Abril de 2008 pela luso-venezuelana Elizabeth de Freitas, o grupo Filhos de Portugueses Nascidos na Venezuela ultrapassou as expectativas da fundadora. Criado no Facebook (uma rede social que coloca as pessoas em contacto através da internet), rapidamente conquistou um grande número de membros. Actualmente, tem mais de 6.500 associados que têm em comum o facto de serem luso-descendentes e de terem vindo a realizar actividade que os aproximam da comunidade e dos costumes portugueses. Eventos como o «Natal com coração», que em Dezembro do ano passado levou um grande número de membros do grupo ao Lar Padre Joaquim Ferreira, em Caracas, para proporcionarem aos mais de 70 anciãos portugueses que ali vivem, um dia inesquecível, como revelou Victor de Freitas, administrador do grupo, a O Emigrante/Mundo Português. A convocatória foi feita através da rede social Facebook. Os administradores das duas páginas do HPNV (Hijos de Portugueses Nacidos en Venezuela) naquela rede social desafiaram os membros a participarem numa acção, organizada em parceria com a Rádio Arcoense, que pretendia proporcionar aos idosos portugueses do Lar Padre Joaquim Ferreira um dia inesquecível. Responderam cerca de 200 pessoas que partiram da Plaza Altamira numa caravana enfeitada com as bandeiras da Venezuela e Portugal, e carregada com prendas para os idosos e donativos para o Lar, recordou Victor de Freitas. Mas este foi uma das muitas actividades de um grupo que reúne maioritariamente luso-descendentes e Caracas mas também dos estados de Mérida, Carabobo, Zulia, Barquisimeto, Maracay, Margarita, El Tigre e outras zonas da Venezuela. A internet facilitou a divulgação do HPNV e o grupo tem já membros nos Estados Unidos, Canadá e Portugal, que acompanham e apoiam à distância as acções que realizam. Numa entrevista a O Emigrante/Mundo Português, Victor de Freitas, administrador da página do HPNV no Facebook, explicou o que os mantém unidos e revelou o que ainda pretendem fazer. Tudo começou com a página no Facebook? A fundadora Elizabeth de Freitas criou sozinha a página do grupo no Facebook. Era uma página pessoal, mas as pessoas começaram a aderir até chegar ao número que tem hoje em dia. À medida que as pessoas se juntaram ao grupo, foi-se criando um ambiente de camaradagem entre alguns integrantes e entre conversas e tertúlias «virtuais» formou-se uma relação familiar que foi muito mais além de um simples grupo. Quantos fazem parte do grupo actualmente? Não existia nenhum grupo parecido com o nosso. Actualmente, há cerca de 6500 membros, divididos em duas páginas, uma com 5000 pessoas e outra com 1500. Tivemos que abrir duas páginas porque no Facebook não se podem ultrapassar os 5 mil utilizadores por página. Através do Facebook, enviamos informações sobre actividades e encontros que organizamos e outras acções do interesse da comunidade luso-venezuelana. A fundadora Elizabeth de Freitas, dois administradores, eu e Mariela da Silva, e vários coordenadores, como a de Eventos Sociais, Fatima Pinto, contamos com um grupo de mais ou menos 20 pessoas que nos ajudam a organizar os eventos. Além disso, há quatro venezuelanos, sem nenhuma ligação com portugueses, que com muita vontade participam nas nossas actividades. São maioritariamente de Caracas, ou agrupam luso-descendentes de toda a Venezuela? A maioria é de Caracas, mas temos membros que moram nos estados de Mérida, Carabobo, Zulia, Barquisimeto, Maracay, Margarita, El Tigre e outras partes da Venezuela, assim como de Estados Unidos, Canadá, Portugal. Que acções já realizaram? Reunimo-nos com muita frequência. No grupo há 50 pessoas que gostam beber um «garoto», comer uma pizza enquanto conversam sobre temas diversos. Também organizamos viagens à praia e à montanha ou algum outro sítio de interesse para o grupo. Participamos em diversas acções, como a doação de material de escritório e religioso à igreja São João Evangelista de Campo Rico, no município de Sucre, em Caracas, a cargo do pároco lusodescendente David Rodríguez. Colaboramos nos segundo e terceiro arraiais para a angariação de fundos para a construção do Santuario de Nossa Senhora de Fátima en Lomas de Urquia e participamos na organização da exposição «Palavras da terra» no âmbito do 10 de Junho de 2009 realizada no Consulado Geral de Portugal em Caracas. Fomos convidados a participar do VIII Encontro de Gerações no Centro Português em Caracas, em Maio de 2009, e a acompanhar a Tuna Universitária do Porto, na Praça Alfredo Sadel em Baruta, estado de Miranda, em Junho do mesmo ano. Participamos em vários espaços da programação da Rádio Arcoense para conversar sobre assuntos de interesse dos filhos de portugueses nascidos na Venezuela e noutros países. Também participamos em celebrações da Revolução dos Cravos, organizadas pela Rádio Arcoense e pelo Instituto Português de Cultura (IPC) no Centro Português em Caracas, em 2009. Entre muitas outras actividades. O que os levou a realizar a festa «Natal com coração», em Dezembro de 2009? Os portugueses têm bom coração, são amigos e generosos. Ir visitar os nossos «avós» e dar-lhes um pouco de ânimo e alegria, enche-nos de satisfação. Queremos proporcionar alegria àqueles que deram tudo por nós. Agora, cabe-nos ajudá-los. Eles são parte de nosso crescimento, da nossa história, cultura e costumes. A ida ao Lar Padre Joaquim Ferreira foi organizada por nós, especificamente pela Fátima Pinto, coordenadora de Eventos Sociais no HPNV, com a colaboração de mais de 50 membros do grupo. Tivemos o apoio da Rádio Arcoense e durante as acções de divulgação do evento, angariamos dinheiro, alimentos e medicamentos, com a colaboração da comunidade portuguesa. Especificamente do nosso grupo, levamos prendas aos nossos idosos, como pantufas, cachecóis, bonés, doces, etc. A actividade teve início de manhã. Cerca de 200 pessoas reuniram-se na Plaza Altamira, em Caracas, para formar uma grande caravana, que seguiu enfeitada com as bandeiras da Venezuela e Portugal. Foi uma grande festa com bolos, bebidas e muita comida. Graças aos patrocinadores, empresários e colaboradores esta acção tornou-se uma realidade. Houve música ao vivo, com o Grupo Musical Estrellas Lusitanas e a entrega das prendas por um Pai Natal e uma Mãe Natal. Cantamos e dançamos com os «avós» e estivemos com eles durante toda a tarde. Que actividades estão a planear para os próximos tempos? Temos algumas acções e eventos planeados que ainda não podemos divulgar. Só podemos adiantar que continuarem as visitas ao Lar em Caracas e Maracay. Também estamos no comité organizador do primeiro Encontro de Luso-Descendentes na Venezuela, organizado pela Embaixada de Portugal, assim como noutros eventos que a Rádio Arcoense está a organizar. Estamos a planear visitas a outras cidades do país para nos encontrarmos com jovens luso-venezuelanos que estão fora de Caracas. O que leva estes luso-descendentes a decidirem juntar-se ao grupo? Acho que é a oportunidade do intercâmbio de ideias. Na nossa comunidade há muita vontade em mantermos os costumes dos nossos pais, e os jovens estão abertos a isso. Mas não há muitas hipóteses em participar, que não seja através de grupos que se encarreguem de dinamizar os encontros e os intercâmbios de usos e costumes. O que esperam alcançar com o grupo Filhos de Portugueses Nascidos na Venezuela? Queremos que os jovens se integrem nas actividades luso-venezuelanas, que participem e valorizem a cultura dos nossos pais. Na sua opinião, que «força» têm os luso-descendentes na Venezuela? O que poderão representar para a comunidade e que papel terão nas relações com Portugal? Na Venezuela, a comunidade portuguesa é uma das mais numerosas. Na nossa comunidade há muita vontade de manter os costumes de Portugal e a juventude está disponível a fazê-lo. Os jovens participam sempre nas festas organizada pelos emigrantes que moram no país. Nossos pais lembram-se e falam da sua terra com muita nostalgia. Recordam os seus costumes familiares com muito orgulho. Nós queremos manter vivos esses valores culturais e essa devoção pela terra que eles levaram no seu coração. O Consulado Geral de Portugal em Caracas, através da Cônsul, Isabel Brilhante Pedrosa, mostra interesse na nossa iniciativas e convida a que mais jovens participem nas actividades onde Portugal estiver presente. Nós fomos convidados para vários eventos organizados pelo Consulado Geral de Portugal. Além disso, o cônsul de Los Teques, Pedro Gonçalves, convidou-nos a participar do primeiro arraial, através de um contacto com a nossa companheira e coordenadora do HPNV, Fany Goncal. Há uma aproximação e uma relação próxima do grupo em tudo aquilo em que nos pedem para participa. Estou seguro de que haverá mais actividades e participaremos com muito orgulho para contribuirmos com a manutenção e crescimento da nossa cultura. |
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