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Equipa de Coimbra vai exumar corpos de soldados portugueses na Guiné

Uma equipa de investigadores de Coimbra, liderada pela antropóloga forense Eugénia Cunha, parte hoje para a Guiné-Bissau com a missão de realizar a exumação dos corpos dos combatentes portugueses envolvidos no desastre de Cheche, um dos mais traumáticos incidentes da Guerra Colonial.

Durante uma semana, a equipa liderada pela investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), vai identificar e exumar os restos mortais dos antigos combatentes portugueses sepultados numa vala comum, em Cheche.

Os soldados foram vítimas de um dos episódios mais traumáticos da Guerra colonial, ocorrido a 6 de Fevereiro de 1969, durante a travessia do rio Corubal, e que provocou a morte a quase 50 combatentes. Promovida pela Liga dos Combatentes de Portugal, no âmbito do programa «Conservação de Memórias», esta é já a quinta missão de resgate dos restos mortais de soldados portugueses mortos no campo de batalha. Entretanto, segundo Eugénia Cunha, é aquela que apresenta maiores dificuldades.

"A complexidade do trabalho científico prende-se com o facto de os soldados estarem numa vala comum e não em sepulturas individualizadas. Vamos encontrar, à partida, uma amálgama de corpos, o que dificulta imenso a identificação, tornando o processo muito mais lento e delicado", explica a investigadora, citada num comunicado da FCTUC.

Eugénia Cunha explica ainda que os investigadores não têm "a certeza do número exacto de corpos ali sepultados". "Segundo o testemunho de sobreviventes estarão na vala comum entre 15 e 17 soldados, mas não há certezas", sublinha.

Outra grande dificuldade com que os investigadores se dverão confrontar será "o estado de conservação dos esqueletos, muito debilitado, devido às características do local, a cerca de 300 metros do rio, com elevado índice de humidade" salienta ainda a investigadora.

As missões anteriores, que decorreram em Guidage, Farim e Gabú, permitiram identificar e exumar 50 corpos, dos quais, nove foram trasladados para Portugal, por desejo dos familiares.
A.G.P.

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