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Entre 70 mil e 75 mil portugueses deixam anualmente o país

Segunda-Feira, 08 Março de 2010
Apesar de ter “sérias dúvidas” de que o número de portugueses que deixam o país tenha aumentado em 2009, o coordenador do Observatório da Emigração diz que entre 70 mil a 75 mil nacionais emigram cada ano.

O coordenador do Observatório da Emigração ressalva que não existem dados fiáveis, mas revela que “a emigração neste momento andará provavelmente entre os 70 a 75 mil por ano”. Rui Pena Pires falava no Parlamento, no decorrer de uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, no dia 2 deste mês.
O responsável do Observatório da Emigração considerou que o movimento migratório se mantém “estável”, aproxima-se “da média dos anos 1960”, mas está abaixo “dos anos de maior emigração”.
Explicou ainda aos deputados as várias dificuldades que impedem uma obtenção de dados fiáveis sobre a emigração, por o país viver “num regime democrático onde as pessoas são livres de sair do pais quando quiserem”. “Há estatísticas razoavelmente fiáveis sobre entrada, mas praticamente um vazio sobre as pessoas que saem”, destacou, citado pela Lusa.
“Nós não medimos a emigração, medimos manifestações de emigração”, realçou Rui Penas Pires, lembrando que actualmente o Observatório “tem recursos limitados e a sua missão é também restrita”.
No inicio dos trabalhos, o deputado do CDS Ribeiro e Castro, que preside à comissão, destacou o interesse que o eventual aumento da emigração, “num contexto de crise e desemprego”, tem merecido, salientando ser também “uma das principais preocupações da comissão”. “É um fenómeno que devemos conhecer melhor”, afirmou.
O deputado do PS Paulo Pisco respondeu lembrando que não se pode “culpar unicamente” a situação económica do país pela emigração, lembrando a necessidade de “captar a natureza desses fluxos”.
O coordenador do Observatório lembrou que, apesar de ser “impossível conseguir saber com rigor quantos portugueses há em todos os países de emigração”, é possível uma aproximação a essa realidade em países como a França. Suíça ou Espanha”.
O responsável afirmou ainda que um dos “equívocos que se criou” actualmente é o de que as pessoas que emigram são mais qualificadas, acrescentando que é “preciso ter cuidado” com os números do Banco Mundial que dão conta de 20 por cento dos licenciados portugueses a viver e trabalhar no estrangeiro.
“Esses dados dão apenas conta de que vinte por cento das pessoas que nascem em Portugal trabalham lá fora. Não dizem se essas pessoas se licenciaram em Portugal ou no estrangeiro”, lembrou.



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