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Sábado, 04 Fevereiro 2012 - 10:44 (Açores 09:44)
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58º DIA - O frio Austral





58º DIA - Vela rasgada, marinheiros a costurar

Mesmo abrigados no Golfo de San Matías o vento chegou aos 45 nós e a ondulação aos 4 metros. A Gávea Baixa abriu uma costura de alto a baixo e teve que ser desenvergada para ser cosida. O mesmo aconteceu com o punho da escota da Mezena Baixa.

A primeira aberta veio após o jantar de dia 14 e aproveitámos logo para sair e tentar recuperar o atraso que já levávamos. Não era preocupante este atraso pois os outros navios também estavam por ali ou mesmo atracados na Baia Blanca ou Golfo Pequeno. Apenas a Libertad e a Esmeralda com os seus maiores portes e motores mais potentes iam avançando para Sul.

8 horas a boa velocidade, seguidas de 20 muito sofridas, navegámos o dia 16 a todo o pano e máquina - 12 nós. Ao pôr-do-sol até deu para colocar a embarcação na água e fazer uma sessão fotográfica aproveitando a presença do nosso grande fotógrafo Monno Rienks e do residente, o Marinheiro Luís Lopes.

Foi mesmo a tempo pois às 21:00 já estávamos a carregar e ferrar todo o pano redondo. Colocámos o vento na popa para reduzir ao máximo o relativo e dar mais conforto aos 40 homens que estavam nos mastros a trabalhar.

Aproximámo-nos de costa para reduzir o espaço de desenvolvimento da ondulação criada pelos ventos rijos de Oeste. Para haver ondas é necessário vento, tempo (duração do vento) e espaço (ou fetch) para a sua evolução e crescimento. Daí que tentemos sempre reduzir um destes factores, seja escolhendo áreas com vento mais fraco ou aproximar de zonas costeiras a barlavento, i.e., que estejam na direcção de onde ele sopra e permitam reduzir o fetch. Felizmente estas costas são muito recortadas!

O nosso objectivo neste momento é ganhar barlavento relativamente ao vento que vai entrar de SW. Está de Sul e pretendemos navegar para SSE em direcção ao Farol do Fim do Mundo onde esperamos chegar amanhã, pouco antes do Sol se pôr, precisamente a hora do fotógrafo, aquela em que a luz é mais adequada para as boas fotos.

Esta noite griparam-se os rolamentos da bomba de alta pressão do nosso precioso GOI, o Grupo de Osmose Inversa. Precioso porque nos assegura a possibilidade de desfrutar de água doce para banhos a qualquer hora, produzindo 18 a 20 toneladas diárias por um método de filtragem através de membranas. Às 05:30, após uma longa madrugada de trabalho dos nossos técnicos, estava de volta! Sem ele aguentaríamos menos de uma semana sem ter de racionar a água.

Está frio, muito frio mesmo. São 10ºC que com mais de 20 nós de vento vêm o seu efeito potenciado. As próximas três semanas serão assim, até começarmos a subir a costa do Chile.

Até breve!

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