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Adega da Vermelha: Queremos exportar o dobro
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Adega da Vermelha: Queremos exportar o dobro

Tera-Feira, 27 Abril de 2010

Actualmente a adega tem cerca de 2800 sócios, estando 1000 deles no activo. Os tempos mudaram e a Adega Cooperativa da Vermelha fez uma aposta clara em produção de qualidade em detrimento da quantidade. Replantou vinhas com castas mais nobres, tanto nacionais como estrangeiras e tem desenvolvido uma intensa batalha pela qualidade que aos poucos tem vindo a ganhar. Exporta cerca de 15 a 20 por cento da sua produção, mas o objectivo de curto prazo é duplicar esse valor na exportação.


Nuno Rodrigues, um filho da terra e de um associado. Estudos contabilidade e administração em Lisboa. Quando acabou o curso fez uma breve passagem pela grande distribuição e depois foi "chamado" pela adega onde se encontra desde 2002 até hoje.

 

Nos últimos anos a Adega tem perdido associados, como pensam recuperar uma posição no mercado?

 

Muitos sócios abandonaram já a actividade outros estão em fase de reconversão o que dá actualmente à adega uma produção média de 11.000.000 de kg de uvas por ano. Os sócios estão a diminuir em termos de número embora esteja a aumentar a dimensão média da propriedade, o que é muito importante porque apenas com uma dimensão média de 10 toneladas por associado há uma dificuldade enorme de fazer uma gestão mais dinamizada e eficaz. Actualmente para conseguirmos dez por cento da produção temos de contar com quarenta a cinquenta associados. Temos exemplo de outras adegas que apenas com seis ou sete associados conseguem atingir cerca de 70 a 80 por cento da sua produção o que é francamente bom e bastante mais fácil de gerir.

Por outro lado o número de associados também tem vindo a diminuir porque nós estamos numa zona que há 15/20 anos era uma zona de vinhas por excelência e mas que foi gradualmente transformada em pomares. Recorde-se que aqui está a maior mancha de produção de pêra rocha do mundo o que é sempre bastante aliciante parta os agricultores já que por hectare conseguem tirar mais rendimento.

 

É verdade que o produto da "adega cooperativa" sofre sempre um pouco em termos de imagem junto do consumidor?

 

Eu acho que em termos de vantagem ou desvantagem o produto quando chega ao mercado acaba por contrariar essa ideia pré concebida porque hoje em dia as adegas cooperativas já estão a trabalhar muito bem. Poderá faltar em relação aos privados alguns meios de marketing e promoção, mas quanto a produção os meios são rigorosamente os mesmos e logicamente a qualidade também. E por isso temos exemplos de adegas cooperativas, nomeadamente no Alentejo, que são verdadeiros exemplos de gestão e com forte presença no mercado...

 

Aliás eu penso que a própria fundação da Adega da Vermelha, já foi uma batalha pela qualidade...

 

A nossa adega foi fundada em 1963 e de facto criada para escoar a produção dos agricultores da região que na altura produziam muito mas com pouca qualidade. Naquela época chegava a produzir-se em média 30 milhões de litros/ano, quando agora não fazemos mais de 11 milhões de litros/ano. É verdade que houve algum abandono de produção, mas também houve muita reconversão . Há dez anos atrás em matéria de tintos por exemplo, não havia castas de referência e hoje em dia temos 70 por cento da nossa produção em Aragonês. Isto mostra um pouco do que era antigamente a região e do que é hoje em termos de qualidade. Por isto estamos num processo de certificação o que representa um esforço grande para a adega mas é sem duvida o caminho que deve ser seguido, porque actualmente temos cerca de 80 por cento da nossa produção colocado na grande distribuição o que faz com que haja uma presença constante dessas entidades junto da nossa produção o que nos obriga a trabalhar num patamar de grande qualidade.

Qual é a facturação da adega?

 

Estamos com uma previsão este ano de 6,5 milhões de euros o que já representa um crescimento considerável em relação ao último exercício que rondou os 5 milhões de euros.

 

E desse resultado qual é o percentual obtido com a exportação?

 

Infelizmente ainda não estamos com o percentual que desejaríamos na exportação, mas neste momento já representa entre 10 e 15 por cento da facturação total. Estamos presentes primordialmente nos PALOP, mas também no Brasil que iniciámos no final do ano passado. Neste momento estamos inseridos num projecto de internacionalização juntamente com a Comissão Vitivinícola aqui da região de Lisboa sendo toda a promoção feita em conjunto com outros agentes económicos e visando a promoção internacional dos vinhos da região. Não podemos ter muita ambição de ir sozinhos explorar mercado porque também não temos essa estrutura que nos permitiria fazer esse trabalho, por isso estamos inseridos neste projecto a três anos, a fim de escolhermos mercados alvo (África, Brasil e Europa de Leste) que possam estar adequados aos produtos que a adega tem e onde ainda não existe uma concorrência com o peso daquela que encontramos noutros países europeus. E é com esta estratégia que pensamos a curto prazo poder duplicar a nossa facturação no exterior.

 

Em matéria de promoção da exportação sei que também têm participado no SISAB. Que resultados tem tido para vocês esta participação?

 

Tem sido bastante importante, tanto que iniciámos a nossa participação em conjunto com a comissão da região e acabámos por optar em estar a título individual porque se trata de um evento muito bem conseguido onde são proporcionados contactos importantes e sobretudo temos a possibilidade de resumir naqueles três dias muitas centenas de horas de viagem que seriam quase impossíveis de realizar ao longo de um ano. Também acho interessante e verdadeiramente inédito que o evento todos os anos tenha um grupo alvo diferente de mercados a abordar. Já tivemos o Leste, Ásia, o Magrebe, etc... Foi assim que curiosamente reencontramos no SISAB um velho parceiro de exportação para a Rússia com quem já tínhamos trabalhado e com quem reencetamos contactos que deixaram algumas boas perspectivas de realização de negócios para diversos países de Leste. Só por este contacto já seria de ficar bem grato ao SISAB por este encontro que nos proporcionou. O problema é que o associado tende sempre a ver estes investimentos como custos que inevitavelmente farão diminuir os seus lucros, não percebendo que muitas vezes são precisamente estas acções que contribuem para a valorização do produto que ao ser melhor vendido gera mais valor para a adega e para os associados. Felizmente que, apesar da média de idades dos nossos associados ser genericamente alta, temos muitos agricultores associados que acham que estamos no bom caminho.

 

Hoje em dia há muito a ideia de que "um bom vinho se faz na vinha", no entanto as adegas cooperativas têm pouco controle sobre a vinha, que é propriedade dos associados. Como conseguem ultrapassar esta dificuldade?

 

As coisas já começam a ser diferentes, no nosso caso temos um protocolo formado já há três anos com uma Associação (APAS) que presta apoio técnico aos viticultores, esclarecendo as suas dúvidas e apoiando o seu trabalho no terreno. Tradicionalmente o viticultor não entende a adega como sua, achando apenas que é o local para "onde vende as uvas", ora o trabalho com esta associação tem vindo a promover essa aproximação, o que traz benefícios para todos. São os técnicos da APAS que vão aconselhando diversos aspectos técnicos na vinha, nomeadamente sobre o dia da vindima para a uva ser colhida no ponto ideal de maturação o que faz toda a diferença para a qualidade final do produto, e o associado vai percebendo que fazendo as coisas de acordo com os técnicos da adega só vai beneficiar cada vez mais da qualidade do seu produto o que significa mais rendimento porque as uvas que forem entregues em melhor estado são sempre mais bem pagas.

 

Dê-me uma ideia geral dos produtos que a Adega da Vermelha hoje coloca no mercado. Existem produtos específicos?

 

Sim há coisas específicas e vou começar por aí, porque estamos numa região que tem produtos específicos para comercializar. Estou a referir-me ao "vinho leve" que muita gente não conhece mas que de facto se trata de um produto único da região de Lisboa. Trata-se de um vinho fresco, frutado e de baixo grau portanto de consumo fácil e que em termos de preço é bastante acessível o que no panorama actual seria uma boa oportunidade para conquistar novos clientes, principalmente aqueles que tradicionalmente não são consumidores de vinho, são mais fáceis de seduzir por este produto na medida em que é um vinho fácil de poder ser apreciado. Por outro lado o facto de ser de baixo teor de álcool permite aos consumidores um maior à vontade para consumir sem consequências de ficar numa situação de excesso que nos tempos que correm pode trazer consequências sociais funestas. Trata-se de um vinho de cariz mais ligado ao verão, às festas e portanto à juventude, um vinho que liga muito bem com peixes, mariscos, saladas, sem esquecer as tradicionais sardinhadas...

Penso que temos de seguir o caminho dos vinhos verdes que souberam muito bem posicionar-se junto do consumidor com o seu produto específico. Têm sabido fazer campanhas de promoção fantásticas e nós Adega da Vermelha temos uma quota de mercado neste tipo de vinho na ordem dos 80 por cento.

 

O Vinho Verde vende-se actualmente apenas pelo nome enquanto que o "leve" ninguém conhece ainda, está tudo por fazer mas terá inevitavelmente de ser feito, e espero que seja o mesmo que se fez em relação ao vinho verde que foi muito bem promovido pelos seus agentes económicos mas também e principalmente por instituições do sector apoiadas pelo próprio estado. Neste caso está tudo por fazer, mas devíamos começar cá dentro junto do mercado nacional, dos turistas que nos visitam, a própria restauração tem aqui um papel fundamental na divulgação da importância deste vinho na gastronomia específica da região. É preciso começar!

Para uma empresa que está a tentar aumentar a sua opresença na exportação qual a importância que tem tido o SISAB?

(...) Tem sido bastante importante, tanto que iniciámos a nossa participação em conjunto com a comissão da região e acabámos por optar em estar a título individual porque se trata de um evento muito bem conseguido onde são proporcionados contactos importantes e sobretudo temos a possibilidade de resumir naqueles três dias muitas centenas de horas de viagem que seriam quase impossíveis de realizar ao longo de um ano. Também acho interessante e verdadeiramente inédito que o evento todos os anos tenha um grupo alvo diferente de mercados a abordar. Já tivemos o Leste, Ásia, o Magrebe, etc... Foi assim que curiosamente reencontramos no SISAB um velho parceiro de exportação para a Rússia com quem já tínhamos trabalhado e com quem reencetamos contactos que deixaram algumas boas perspectivas de realização de negócios para diversos países de Leste. Só por este contacto já seria de ficar bem grato ao SISAB por este encontro que nos proporcionou (...)





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