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Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 15:51 (Açores 14:51)
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Papa/Portugal: Bento XVI não escondeu “filhos insubmissos” mas afirmou que “nenhuma força adversa” poderá destruir a Igreja

 Bento XVI presidiu ontem em Lisboa, à sua primeira Missa em Portugal, e deixou mensagens fortes sobre a necessidade da reafirmação do catolicismo na sociedade do país.Perante uma multidão, que a Polícia de Segurança Pública estimou que entre 80 a 100 mil pessoas, preencheu o Terreiro do Paço e os locais adjacentes, o Papa falou nas polémicas que têm afectado a Igreja, mas afirmou que “nenhuma força adversa” a poderá destruir.

Na homilia, Bento XVI reconheceu que a Igreja tem colocado uma "confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções" e alertou para os riscos do desaparecimento da fé.

“Muitas vezes preocupa-mo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?”, questionou.

E sublinhou que “a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia e na política”, observou.

Mas se não «escondeu» os “filhos insubmissos e até rebeldes” da Igreja, também falou nos santos que apresentou como exemplo para os cristãos, afirmando que é neles “que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda”.

Na homilia, Bento XVI saudou o cardeal patriarca, o Presidente da República e o presidente da Câmara, a quem agradeceu a entrega das chaves de Lisboa, uma cidade que considerou “amiga” e que recordou como um “porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava” “Gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina”, pediu.

Aos mais jovens, pediu para serem cristãos activos com "entusiasmo", procurando assim o "verdadeiro sentido da vida". "Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade", apelou.

A Missa iniciou-se com uma saudação do Cardeal-Patriarca, que sublinhou a presença de Bento XVI como “um convite a aprofundar e a tornar mais radical a nossa fidelidade”, acrescentando que sobretudo os jovens precisam “de testemunhas vivas da fé”.

D. José Policarpo referiu-se ainda à cidade e aos seus habitantes, sublinhando que “nascem e morrem envolvidos” pela beleza do rio que atrai Lisboa “ para o oceano infinito”.

“Habituaram-se a estar sempre dispostos a partir. E partiram à procura de novos mundos, dinamizados pela urgência missionária do anúncio. E ainda hoje continuam a partir, religiosos e religiosas, jovens e famílias inteiras, a experimentar a aventura da missão e a aprenderem nela o verdadeiro ritmo da sua fé”, destacou.

O Cardeal Patriarca lembrou ainda que muitos dos que chegam à cidade professam outras religiões, mas são recebidos com respeito. “Muitos dos que chegam não são cristãos, praticam outras religiões. Também os acolhemos com amor, aprendemos a respeitar a sua fé, a conviver no diálogo e a descobrir valores que temos em comum”, afirmou, acrescentando que “a maioria católica não tira o lugar a ninguém”.

 

Uma «serenata» e um pedido…

 

Depois da celebração, o papa regressou à Nunciatura e antes de se deitar ainda cumprimentou os milhares de jovens que se concentraram em frente à Embaixada da Santa Sé, em oração e com cânticos.

Bento XVI chegou à janela para agradecer a «serenata» e arrancou risos dos jovens ao pedir-lhes que o deixassem dormir. “Agora tendes de me deixar dormir, senão a noite não seria boa e o dia de amanhã está à nossa espera”, disse. Antes porém, sublinhou a participação “viva e numerosa” dos jovens na Eucaristia no Terreiro do Paço, que deram “provas da sua fé e vontade de construir o futuro sobre o Evangelho de Jesus Cristo”.

“Obrigado pelo testemunho jubiloso que prestais a Cristo, eternamente jovem, e pelo carinho que manifestais ao seu pobre Vigário na terra com esta serenata. Obrigado”, disse ainda.

Antes de dar a bênção aos jovens, Bento XVI disse que se sentia “feliz” por poder juntar-se mais tarde à multidão dos peregrinos de Fátima no décimo aniversário da Beatificação de Francisco e Jacinta”. 


Ana Grácio Pinto

 

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