Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 15:55 (Açores 14:55)
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Papa/Portugal: Bento XVI como “peregrino” para “rezar com Maria” e disse que “missão profética de Fátima” não está concluída
Bento XVI apresentou-se em Fátima nas celebrações do 13 de Maio, como “peregrino” de uma “«casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos”. “Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos”, disse o Papa na homilia da peregrinação internacional do 13 de Maio.
“Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção”, assinalou Bento XVI que disse trazer no coração “quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde” no seu coração e que, em Fátima, “se faz encontrar mais sensivelmente”. O Papa disse ter os “mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia”, estando na Cova da Iria “para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo»”. “Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana”, disse na homilia do 13 de Maio, perante centenas de milhares de fiéis. A peregrinação a Portugal, que vai no seu terceiro dia, acontece no 10.º aniversário da beatificação de Francisco e Jacinto, que faleceram pouco depois das aparições. À imagem do que fez ontem, na igreja da Santíssima Trindade, Bento XVI confiou “à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus”. No início da celebração, o Papa agradeceu à “amada diocese de Leiria-Fátima” e o seu Bispo, D. António Marto, “a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou, nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário”. “Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa”, acrescentou, dirigindo-se ainda a “todas as Dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos”. Numa alusão indirecta à questão da veracidade das aparições de 1917, Bento XVI defendeu que Deus “tem o poder de chegar até nós, nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real, que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos”. “Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma”, referiu, citando o comentário teológico sobre a Mensagem de Fátima que assinou, então como Cardeal, no ano 2000.
Missão de Fátima continua
Bento XVI defendeu na homilia, que a missão de Fátima ainda não está “concluída”, lembrando a história bíblica de Caim e Abel para falar sobre a violência na humanidade. “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”, disse o Papa, que aludiu ainda ao contexto histórico em que se deram as Aparições, no ano de 1917, em plena I Guerra Mundial, “com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo”. “Então eram só três cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna”, disse. Num olhar sobre o futuro, o Papa disse que “a fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo”. Em conclusão, Bento XVI deixou votos de que “os sete anos que nos separam do centenário das Aparições” possam “apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade”. A missa a que o Papa presidiu hoje em Fátima, foi celebrada por quatro cardeais, 77 bispos e 1442 sacerdotes, informaram os serviços do Santuário, perante uma multidão calculada em mais de 500 mil peregrinos. Destes, 428 eram doentes que receberam a bênção do Papa Bento XVI no final da celebração. Em 2000, por ocasião da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, as celebrações do 13 de Maio, presididas pela terceira e última vez pelo Papa João Paulo II, contaram com a presença de 400 mil peregrinos. |
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