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PR/Angola: “Mais do que ninguém os portugueses vibram com o progresso de Angola” - Cavaco Silva

Segunda-Feira, 26 Julho de 2010
Provavelmente será ainda cedo para fazer um balanço dos resultados da visita que Cavaco Silva fez a Angola acompanhado de quase centena e meia de empresários portugueses. No entanto e atendendo às declarações de alguns altos dirigentes angolanos, a visita já deu frutos e há esperança renovada no horizonte das relações económicas. Do ponto de vista político a visita traduziu-se num enorme sucesso que o Presidente da República capitalizou. Fortemente emocionado pela recepção que teve em toda a visita mas em especial no Lubango com a recepção entusiástica de milhares de crianças, Cavaco agradeceu às “gentes do Lubango” afirmando que “Angola está no coração dos portugueses e Portugal também está no coração dos angolanos”. Foi a chave de ouro para uma visita onde o PR ouviu “ao mais alto nível” algumas garantias das entidades angolanas que irão certamente tranquilizar as relações entre os dois países e que já estavam a precisar disso mesmo:  tranquilização.

A visita a Angola do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, iniciou-se com o objectivo de reforçar a parceria estratégica entre os dois países e que ultimamente tem sofrido algum desgaste.
O PR chegou a Luanda, acompanhado da maior comitiva empresarial que alguma vez acompanhou um chefe de Estado português numa visita oficial – mais de 135 empresários.
A visita de Estado – a primeira de um Presidente da República português – iniciou-se  com uma cerimónia oficial de boas vindas no Palácio Presidencial, no fim da qual os dois chefes de Estado prestaram declarações. Este facto é considerado pela diplomacia um sinal de atenção especial por parte de José Eduardo dos Santos, que nem sempre presta declarações no final de encontros com os seus homólogos.
A dimensão da comitiva empresarial que acompanhou Cavaco Silva, mostra o interesse que Angola, enquanto quarto maior destino das exportações portuguesas e o maior cliente do país fora do espaço europeu.
Mas apesar desta forte vertente económica Cavaco Silva levou para Luanda claros objectivos políticos, que se concretizaram em pelo menos três encontros com o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, assim como reuniões com o líder da oposição, Isaías Samakuva, o Parlamento e ainda com membros do governo e governadores provinciais.
O chefe de Estado português não escondeu que gostaria de regressar a Portugal com passos dados no sentido dos dois países criarem uma parceria estratégica institucionalizada, com encontros periódicos ao mais alto nível para ir ultrapassando os problemas que têm surgido desde que as relações mútuas se foram aprofundando.
Recorde-se que actualmente vivem em Angola 86.374 portugueses, mais do que em 1950, e em Portugal residem pelo menos 28 mil angolanos.

A questão das dívidas

As dívidas às empresas portuguesas que estão em Angola era uma das questões mais sensíveis a abordar no decurso desta visita. O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, garantiria que as dívidas às Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas serão pagas no prazo de dois meses.
Em conferência de imprensa após um encontro com o Presidente português, o Presidente angolano adiantou ainda que as dívidas às grandes empresas serão pagas em “40 por cento inicialmente e depois será feito um reescalonamento por um, dois anos”.
Sem precisar o montante da dívida às empresas portuguesas, Eduardo dos Santos referiu-se à dívida geral angolana a empresas, de 6,8 mil milhões de dólares (5,2 mil milhões de euros), estimando que “30 por cento deste valor” seja referente às empresas portuguesas.
Esta foi uma importante vitória da visita de Cavaco Silva pois em declarações aos jornalistas, ainda a bordo do avião que o transportou para Angola, Cavaco Silva disse que a questão das dívidas de Angola a empresários portugueses devia ser resolvida pensando não apenas nas grandes empresas, mas particularmente nas pequenas.

2000 empresas portuguesas em Angola

O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, sublinhou ainda que Portugal foi um dos poucos países a ajudarem na reconstrução de Angola, em contraponto a uma comunidade internacional que não cumpriu as suas promessas de apoio.
Recordando o “curto” período de tempo que Angola tem desde a guerra civil, apenas oito anos, José Eduardo dos Santos afirmou que foram dados “passos significativos no sentido da normalização do funcionamento das instituições democráticas e da melhoria de vida das populações”.
“Demos passos importantes também na reintegração dos ex-militares na vida social e produtiva e na reconstrução ou criação de raiz das necessárias infraestruturas para o desenvolvimento do país”, lembrou ainda.
Foi neste contexto que lamentou: “Este esforço tem estado a ser suportado essencialmente com meios próprios, uma vez que acabaram por nunca se concretizar as promessas feitas pelos países mais desenvolvidos concernentes à reconstrução de Angola no pós-guerra.”
“Felizmente que nesse difícil e complexo processo temos podido contar com a participação de alguns países amigos, entre os quais Portugal ocupa um lugar de destaque”, acrescentou.
O chefe de Estado Angolano considerou que “não é, pois, casual que estejam neste momento instaladas em Angola mais de duas mil empresas portuguesas, que o comércio entre os dois países tenha triplicado nestes últimos anos e que Angola seja hoje o quarto principal destino das exportações portuguesas e o terceiro país com maiores investimentos bolsistas em Portugal, logo após a Espanha e a Itália”.
José Eduardo dos Santos sublinhou que “as oportunidades de negócios de duplo sentido também se têm acentuado e os empresários de ambos os países têm hoje um quadro que lhes permite expandir as suas áreas de actividades para lá das habituais”, nomeadamente agricultura e agro-indústria.
Para além dos aspectos económicos, o presidente angolano sublinhou a “convergência de posições das lideranças políticas de Angola e de Portugal sobre os principais assuntos da actualidade internacional e, acima de tudo, a grande disponibilidade de ambos os países para o aprofundamento da cooperação no domínio cultural, técnico e científico”.
“Esta disponibilidade, fruto de uma longa trajectória histórica em comum, poderá dar excelentes frutos e permitir, por exemplo, valorizar ainda mais no plano internacional a língua que nos une e estabelecer parcerias privilegiadas e mesmo estratégicas com todos os países de língua oficial portuguesa”, acrescentou.

Portugueses acolhem investimento angolano

O Presidente da República afirmou hoje que Portugal acolhe “com satisfação” o investimento angolano, como acolhe “todo o investimento estrangeiro que se paute por regras de transparência e reciprocidade e se insira nas prioridades da economia portuguesa”.
“Um investimento que contribui para a desejada aproximação entre os nossos dois países”, resumiu Cavaco Silva, na sua intervenção durante o banquete de Estado oferecido pelo seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, para reafirmar as boas relações e amizade que unem Portugal e Angola.
Repetindo as linhas mestras do discurso desta visita a Angola, Cavaco Silva considerou que o relacionamento político entre os dois países está ao nível da “excelência”, mas sublinhou que também no que toca a intercâmbios – económico, cultural, educacional e mesmo militar – se vivem momentos de grande proximidade.
“Esta proximidade faz com que nada do que se passa em Angola nos possa ser indiferente, assim como nada do que se passa em Portugal poderá ser indiferente aos angolanos”, frisou.
Daí que o chefe de Estado considere “natural que, mais do que ninguém, os portugueses partilhem da satisfação de ver os angolanos colherem os dividendos que a conquista da paz lhes veio proporcionar”.
Sublinhando ainda que o relacionamento bilateral “é hoje mais profundo e intenso do que alguma vez foi”, Cavaco Silva realçou ainda que “Angola é, de há muito, um dos principais parceiros comerciais de Portugal e um dos principais destinos do investimento directo português”.

José Manuel Duarte
jduarte@mundoportugues.org



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