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“Há cada vez mais pessoas a quererem aprender português em Marrocos

Segunda-Feira, 26 Julho de 2010
Jorge Alexandre Pinto é responsável pelo Centro Cultural Português na cidade de Rabat, capital de Marrocos, desde Maio de 2008. A sua experiência diz-lhe que faltam professores de língua portuguesa para responder ao aumento da procura dos marroquinos pelo ensino da nossa língua. O também leitor do Instituto Camões aborda ainda as relações de percepção entre os cidadãos dos dois países e os acordos de cooperação cultural que vêm sendo estabelecidos.

O principal problema da promoção da língua portuguesa em Marrocos é a falta de professores para responder ao aumento da procura por parte daqueles que querem aprender o idioma. Este é o diagnóstico de Jorge Alexandre Pinto, leitor do Instituto Camões (IC) em Rabat e responsável do Centro Cultural Português na capital marroquina.
“Há cada vez mais pessoas a quererem aprender português, não só nas universidades como através dos centros culturais, e não é possível dar resposta a tudo”, desabafa este doutorado em Ciências da Educação pela Universidade de Santiago de Compostela.
Em Marrocos, o ensino da língua portuguesa está presente ao nível do ensino superior. No ano lectivo de 2009/2010 iniciou-se, com a inscrição de 36 alunos, a primeira licenciatura em Estudos Portugueses na Faculdade de Letras e de Ciências Humanas da Universidade Mohammed V-Agdal, na capital Rabat, em resultado de um protocolo entre esta universidade, o IC e a Universidade de Lisboa. “É a primeira licenciatura do género em Marrocos e em todo o Magrebe”, sublinha Jorge Alexandre Pinto, leitor do IC naquela universidade e membro da comissão científico-pedagógica que criou a licenciatura. “Foi efectivamente um grande passo para a promoção da língua portuguesa no país”, afirma peremptoriamente.
Para além deste curso funcionam outros de carácter livre ou opcional na Universidade Hassan II, em Casablanca, na Universidade Chouaïb Doukkali, em El Jadida, e na Universidade Sidi Mohamed Ben Abdellah, em Fez. Tanto o Centro Cultural de Rabat como o pólo em Casablanca também se têm dedicado ao ensino da língua e da cultura portuguesa, promovendo nas suas instalações cursos livres. O número de alunos varia de universidade para universidade, em função da natureza dos cursos. Na totalidade serão à volta de 220 inscritos em Marrocos, refere o português.
Mas estes números poderão subir, se houver resposta à procura, acredita Jorge Alexandre Pinto. “A procura local de falantes de português é cada vez maior, quer ao nível das empresas portuguesas, que têm representações cá, quer ao nível do turismo e do próprio ensino”.
E acrescenta: “não tenho dúvidas que os primeiros grupos que sairão desta licenciatura terão hipóteses de encontrar um emprego, o que não é evidente para os estudantes que se licenciam noutras línguas já com alguma tradição no país”. As motivações para aprender português são, assim, várias, “desde o gosto pela cultura portuguesa até às expectativas de obter um bom emprego com esta formação”.

Portugal, aquele país distante

As relações entre Portugal e Marrocos parecem assentes num paradoxo. Para os marroquinos, “Portugal continua a ser um país longínquo, apesar da proximidade geográfica”, reconhece Jorge Alexandre Pinto. Uma constatação que certamente se poderia fazer no sentido inverso.
No entanto, não têm faltado esforços para aproximar os dois países, seja no plano político seja no  plano cultural. Marrocos é o primeiro país do Magrebe a ter nas suas universidades uma licenciatura em Estudos Portugueses.
A cimeira lu-so-marroquina, que decorreu no início de Junho, em Rabat, alargou algumas medidas bilaterais no plano cultural, como o protocolo assinado entre o IC e o Instituto de Estudos Hispano-Lusófonos visando alargar a promoção do ensino e a divulgação da língua e da cultura portuguesas em Marrocos. Foi também assinado um protocolo entre os ministérios da Cultura dos dois países, que prevê, entre outros aspectos, a colaboração entre instituições portuguesas e marroquinas na partilha de informações e na conservação e restauro de património documental comum, segundo refere Jorge Alexandre Pinto. Afinal, os dois países têm uma longa história comum.
“Dar a conhecer a cultura de cada país em todas as suas vertentes – música, artes plásticas, literatura, património, cinema –” é o papel que Jorge Alexandre Pinto concebe para um centro cultural estrangeiro em Marrocos. “Pretende-se chegar a um público generalizado, mas sobretudo àqueles que não viajam e que, consequentemente, têm pouco conhecimento sobre as outras culturas”, acrescenta. Desde que iniciou funções, em 2008, e dando continuidade ao que já vinha sendo feito, promove actividades, não só nas instalações do Centro, situadas no edifício da Embaixada de Portugal em Rabat, como em várias cidades marroquinas. Dessas destaca a associação do IC “a outras organizações culturais, garantindo a presença portuguesa em festivais de música, colóquios, exposições e salões do livro”.


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