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Incêndios: Presidente e primeiro-ministro acompanham de perto responsáveis da Protecção Civil

Segunda-Feira, 16 Agosto de 2010
A Polícia Judiciária já deteve este ano 15 suspeitos de fogo posto. Na semana passada houve centenas de ignições de incêndios, sobretudo no norte e no centro do país. Cavaco Silva e José Sócrates foram até à Autoridade Nacional da Protecção Civil e acompanharam o briefing do dia, dirigindo-se depois aos jornalistas e ao país com uma mensagem de confiança.

Numa semana de muito calor e de muitos incêndios, nomeadamente no norte e no centro de Portugal, o Presidente da República e o Primeiro-Ministro decidiram interromper as suas férias e acompanhar de perto o trabalho da Protecção Civil. No final de uma reunião de duas horas na sede Autoridade Nacional da Protecção Civil, as duas figuras da nação dirigiram-se aos portugueses, manifestando confiança no trabalho dos bombeiros e alertando para os comportamentos de risco.
Falando aos jornalistas, Aníbal Cavaco Silva defendeu que o combate aos incêndios “é um trabalho de todos os portugueses” e pediu aos cidadãos precaução nos comportamentos de risco e que denunciem casos de fogo posto.
“Este é um trabalho de todos os portugueses. Dirijo-me aos portugueses para lhes pedir que tenham muito cuidado nos comportamentos de risco que podem provocar incêndios e que estejam alerta em relação a todos aqueles que ateiam incêndios e não deixem de comunicar às autoridades”, afirmou o Presidente.
O Presidente da República pediu ainda aos portugueses que “apoiem os bombeiros que, no terreno, fazem tudo o que é possível, com um esforço tremendo, com um grande sacrifício, para proteger os cidadãos e os seus bens”, prestando homenagem às corporações e, em particular, aos operacionais falecidos.
Já José Sócrates classificou de “muito positiva” a capacidade operacional do dispositivo de combate aos incêndios e destacou que o grau de eficácia “melhorou muito nos últimos anos”. “O que é importante destacar é que a capacidade operacional do dispositivo de combate aos incêndios tem-se revelado muito positiva”, disse o primeiro-ministro, que destacou ainda que “se compararmos o número de ignições, as condições meteorológicas que ocorreram em anos excepcionais como 2003 e 2005, verificaremos que o grau de eficácia de combate aos incêndios melhorou muito nestes últimos anos”.

Detenções por suspeita de fogo posto

Entretanto, a Polícia Judiciária anunciou a detenção de três pastores por suspeita de terem ateado fogos em Mogadouro, Tabuaço e Sernancelhe, elevando para 15 o número de incendiários detidos desde o início do ano.
A PJ de Vila Real deteve na madrugada de dia 13 um jovem de 19 anos suspeito de dois crimes de incêndio florestal ocorridos durante a semana passada, mas sobre ele recaem ainda suspeitas de ter ateado outros incêndios na região com recurso a velas e a isqueiros.
Segundo esta polícia, o jovem “agiu com intenção de produzir renovação de pastagens, já que, além de jornaleiro, é pastor, mas simultaneamente evidenciou impulsos pirómanos”.
Em comunicado, a PJ refere que os incêndios de que o detido é suspeito queimaram várias dezenas de hectares de floresta composta de pinheiros, eucaliptos e mato de Mogadouro. A detenção foi efectuada com a colaboração do destacamento da GNR de Miranda do Douro e do posto de Mogadouro.
Em Sernancelhe, agentes da Directoria do Norte da PJ, com a colaboração da GNR local, detiveram no dia 12 um outro pastor de 28 anos por alegadamente ter ateado dois fogos florestais em Escurquela, a 31 de Julho e a 6 de Agosto. O suspeito terá usado um pequeno isqueiro como ignição para o fogo que queimou 383 hectares e no qual só a intervenção das corporações de bombeiros evitou a destruição de bens, habitações, instalações agrícolas e povoamentos florestais de valor superior a 140 mil euros. A sua intenção seria obter mais terrenos de pasto para o seu gado.
No mesmo dia, a Polícia Judiciária deteve , em Tabuaço, um outro pastor, de 72 anos, que terá sido o responsável por um incêndio que, nesse mesmo dia, queimou “algumas centenas de metros quadrados de arvoredo e pinheiro” em Longa. Foi o presidente da Câmara de Tabuaço que deu o alerta do início do incêndio, já que na altura sobrevoava o local de helicóptero, o que permitiu a rápida intervenção no combate às chamas e a identificação do sujeito, que acabaria detido.
Estes três homens não possuem antecedentes criminais e já foram presentes a tribunal. Desde o início do ano foram detidas 15 pessoas por suspeita de fogo em floresta.


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