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Adriana Ferreira: A flauta mágica de Cabeceiras de Basto

Segunda-Feira, 16 Agosto de 2010
De Cabeceiras de Basto, terra minhota, surgiu a estrela matutina Adriana Ferreira que conheci na Dinamarca há poucos dias, num concerto em que actuou como solista de flauta, integrada no «Copenhagen Summer Festival». Em Maio, Adriana foi a mais jovem participante entre 37 concorrentes de vários países, no concurso internacional Carl Nielsen. Merecidamente ganhou o primeiro prémio...

Entre a ribeira de Peitim e o Rio Tâmega, fica a povoação antiga de Cabeceiras de Basto que recebeu foral do rei D. Manuel I em 1510. Na vila erguem-se algumas casas solarengas e brasonadas dos séculos XVII, XVIII e XIX, pertencentes à aristocracia da região de Basto, delas se destacando as Casas de Alvite, Pielas, Mourigo e Breia. A atracção principal é o convento barroco Mosteiro de Refojo, com uma bela cúpula de 33 metros, rodeada de estátuas de apóstolos e coroada com a estátua do arcanjo S. Miguel. Nos tempos de hoje, o mercado de gado bovino e suíno realiza-se todas as segundas-feiras e é muito concorrido. A cidade mais próxima é Fafe, à beira do rio Vizela e mais conhecida pela sua industria têxtil, hoje menos activa do que nos anos 1970 quando a visitei.
Desta terrinha minhota surgiu a estrela matutina Adriana Ferreira que conheci na Dinamarca há poucos dias, num concerto em que actuou como solista de flauta, integrada no «Copenhagen Summer Festival» que, desde 1969, se realiza em Copenhague. O organizador, Paul Rosenbaum, procura juntar uma colectânea de jovens músicos - em geral de musica de câmara, a nível nacional e internacional, que se destacaram durante os últimos anos, ou por terem ganho prémios internacionais ou por se terem evidenciado pelas suas qualidades e actuações em concertos. A jovem Adriana Ferreira, que completará brevemente 20 anos, teve a honra de fechar o festival no passado dia 5 de Agosto, tendo como acompanhante ao piano o Professor Tanada Fuminori, de nacionalidade japonesa, que também é professor no Conservatório Nacional Superior de Musica e Dança de Paris, onde a jovem Adriana estuda flauta há três anos.

Desde os seis anos

Adriana estudou primeiro órgão aos 6 anos de idade. Desde os 10 anos, que tocava na Banda Filarmónica de Cabeceiras de Basto. Aos 12, começou a estudar flauta a sério e entrou então para a ARTAVE, a famosa Escola Portuguesa de Musica, especializada em instrumentos de sopro, localizada perto de Santo Tirso (onde também se localizam as famosas termas de Caldas da Saúde). Para conseguir seguir os estudos de flauta na ARTAVE mudou-se com os pais, Celeste e Adriano Ferreira, para Santo Tirso, para ficar mais perto da escola e evitar transportes morosos de Cabeceiras para S. Tirso.
Numa conversa que tive com a jovem flautista, fiquei a saber que a ARTAVE é como uma fábrica de músicos, pois 97 por cento dos alunos que por lá passam conseguem prosseguir no ensino superior. O estudo diário na ARTAVE é das 8h30 da manha às 18h30 e todos os meses os alunos, para adquirirem prática, dão concertos, chegando aos 300 por ano.
Adriana contou ainda que a sua flauta transversal é de fabrico japonês, marca «Muramatsu», em prata maciça, com a junta de cabeça fabricada pelo mestre João Marinho e a embocadura e «stopper» em ouro.
 
De Santo Tirso a Paris

Passaram os anos e a jovem Adriana foi-se aperfeiçoando cada vez mais. Até que aos 17, concorreu a uma bolsa da Gulbenkian que lhe permitiu o acesso ao Conservatório de Musica de Paris, onde fixou residência até hoje. Gosta do seu métier, mas tem ambições de melhorar ainda mais o seu trabalho. Talento não lhe falta, mas sabe que é preciso trabalhar muito para se ficar perfeita: treinar, treinar muito, estudar e ampliar o repertório. No Outono deste ano, a jovem portuguesa será aluna na Escola Superior de Musica «Hans Heisler» em Berlim onde ficará um ano, voltando depois para Paris para terminar os estudos em 2013.
A primeira vez que ouvi falar de Adriana Ferreira foi no programa da Rádio Clássica da Emissora Nacional Dinamarquesa, no passado mês de Maio, quando se realizava, na cidade de Odense, o concurso internacional Carl Nielsen - compositor dinamarquês do século XX (1865-1931) muito interessado na musica folclórica dinamarquesa a partir da qual compôs muitas peças para violino, flauta, clarinete, piano e ate órgão. Adriana foi a mais jovem participante, entre 37 concorrentes de vários países, e merecidamente ganhou o primeiro prémio, superando as outras 3 finalistas da Rússia, Argentina e Islândia, todas mais velhas e experientes que Adriana. Não foi possível falar com Adriana pessoalmente nessa ocasião, mas deixei o meu número de telemóvel e desejei-lhe felicidades.
Pela rádio acompanhei a sua actuação na prova final do concurso, em que tocou Mozart, e fiquei orgulhosa de tal vitória. Qual, portanto, não foi o meu espanto quando passado algum tempo, recebo o convite da Adriana, pelo telemóvel, para assistir ao seu concerto do Festival de Verão de Copenhague. E foi assim que a conheci. A jovem flautista apareceu, elegante no seu belo vestido preto, e encantou o publico com a sua frescura, vigor e profissionalismo, apresentando um vasto repertório desde Telemann, Poulenc, Schumann, J. Andersen (compositor dinamarquês), L. Berio e os contemporâneos A. Jolivet (1905-74) e o português Abel Delgado (nasc. 1980), muito original. No final, Adriana deu três encore que mais uma vez fizeram a sala aplaudir com entusiasmo.

Concertos em Manchester e Leipzig

Adriana Ferreira tem um vasto programa de concertos à sua frente, estando, de momento, previstos actuações em Manchester, Porto e Lisboa e logo a seguir Leipzig na Alemanha onde estará no dia do seu 20 aniversário, 10 de Setembro, tendo-me confessado que estará sozinha nesse dia. Dia 27 de Setembro voltará à Dinamarca para outro concerto. Na primavera 2011, será ela que abrirá o concerto inaugural do proximo Concurso Carl Nielsen, em Odense. Entretanto estará em Berlim a estudar, e por aí fora, sempre a girar com a sua flauta mágica.
Este artigo é uma homenagem à jovem flautista portuguesa Adriana Ferreira, minhota de estirpe, corajosa, aventureira, amante e estudiosa da música, na esperança de que lhe dê ainda mais força para vencer na vida e se orgulhar sempre de ser portuguesa. O facto de ter escolhido Carl Nielsen para se apresentar na longínqua Dinamarca significa também que os polos norte-sul se aproximam cada vez mais, não só geograficamente, mas também culturalmente. Parabéns Adriana, triunfaste e vais continuar no firmamento musical internacional!
Obrigada e bem hajas.

Susana Louro - Dinamarca



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