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Época das vindimas iniciou-se no Alentejo prevendo-se uma boa colheita

Segunda-Feira, 23 Agosto de 2010
Anualmente, por esta altura, começa-se a colher as uvas. Primeiro no Alentejo, já que apresar de ser um país pequeno, Portugal tem uma diversidade de solos e climas. O Emigrante/Mundo Português esteve na Adega da Ervideira em Vendinha, próximo de Reguengos e falou com o enólogo da empresa Nelson Rolo. Seguiu depois até à Carmim a maior adega cooperativa do país e falou com o enólogo Rui Veladas. Subiu mais um pouco, entre Estremoz e Fronteira à Quinta da Cal da Empresa Dão Sul/ Global Wines onde o administrador e enólogo da empresa, Carlos Lucas, já vindimava. Deu-se assim início da época das vindimas que gradualmente se vai estender de Sul para Norte, sendo colhidas e vinificadas milhares de toneladas de uvas que vão produzir milhões de litros de vinho quer para o mercado nacional quee para a exportação, onde os vinhos portugueses são cada vez mais apreciados e vendidos.

Portugal está entre os países com maior produção de vinho de alta qualidade do mundo. A produção de vinho da campanha 2009/2010 atingiu um volume de 6.100 mil hectolitros (610 milhões de litros) traduzindo um crescimento de 9% face à campanha passada. Com o início das vindimas já em curso, as primeiras previsões apontam para um crescimento da produção em todas as regiões do país.
Anualmente, por esta altura, começa-se a colher as uvas. Primeiro no Alentejo, já que um país pequeno tem uma diversidade de solos e climas. Começou a época das vindimas e embora o povo na sua eterna sabedoria diga, que até ao lavar dos cestos é vindima, e dado neste mês de Agosto as mesmas terem agora começado .
O Emigrante/Mundo Português esteve na Adega da Ervideira em Vendinha, próximo de Reguengos e falou com o enólogo da empresa Nelson Rolo, seguiu depois até à Carmim a maior adega cooperativa do país e falou com o enólogo Rui Veladas    Subiu mais um pouco, entre Estremoz e Fronteira à Quinta da Cal da Empresa Dão Sul/ Global Wines onde o administrador e enólogo da empresa, Carlos Lucas, já vindimava. Deu-se assim início da época das vindimas que gradualmente se vai estender de Sul para Norte, sendo colhidas e vinificadas milhares de toneladas de uvas que vão produzir milhões de litros de vinho quer para o mercado nacional e para a exportação, onde os vinhos portugueses são cada vez mais apreciados e vendidos.
Mas iremos ter um ano de excepcional produção? Um ano de excepcional qualidade?
Tudo aponta que sim, mas as palavras de quem está no terreno e são profissional desta área - os enólogos -  que acompanham a par e passo as vindimas, pois todos os que contactámos são unânimes ao dizer “um bom vinho faz-se na vinha”.
Nélson Rolo natural de Penamacor formou-se em enologia na Universidade de Évora e o Alentejo hoje é a sua terra, foi enólogo residente com Paulo Laureano e há dois anos é o responsável dos excelentes vinhos da Adega da Ervideira que nos refere” as uvas estão a entrar na data normal para serem vindimadas, ao contrário da colheita de 2009 que foi antecipada devido ao calor. Este ano, devido às chuvas e à quantidade de água no solo a maturação atrasou-se um bocadinho e todas as castas estão a atingir a maturação fenólica ao mesmo tempo e vamos arrancar numa destas madrugadas (23 Agosto)”
 Para os que foram criados e habituados a verem as tradicionais vindimas manuais de ranchos de gente, arrisca-se num futuro muito próximo a só ter essa possibilidade nas vindimas nos patamares do Douro ou em vinhas mais antigas. Portugal é pioneiro na reconversão da vinha, nos novos plantios e na mecanização da apanha, onde há cada vez mais máquinas nesta função e que afim de aumentar a qualidade da colheita e o resultado final, “fogem” das altas temperaturas e é de noite que cada vez mais se vindima. Nélson Rolo refere-nos que a família Leal da Costa proprietária da Adega da Ervideira foi das pioneiras nas vindimas de noite” em 2002 arrancámos com a vindima cem por cento mecanizada durante a noite, das 22H00, ou quando o bago tiver temperaturas baixas, até por volta das sete da manhã. As baixas temperaturas não permitem oxidações” Quanto ao bom “ano de uvas” como se diz na gíria refere” estamos aqui à beira de um talha de Antão Vaz com uma produção muito boa, que nos levou à monda de alguns cachos, por sobrecarga das videiras, os bagos são bastante homogéneos, com uma excelente maturação.
Vamos ter na Ervidiera uma colheita de uvas idêntica à época passada, que se cifrou na casa das 800 toneladas. Sobre a apanha mecânica, é a melhor opção dado não haver mão-de-obra necessária e a máquina de vindimar permite-nos uma capacidade imediata quando se atinge o ponto óptimo de maturação. Numa noite de laboração temos cerca de 40 toneladas de uvas vindimadas e de dia concentramo-nos nos trabalhos da adega. As uvas provenientes das vinhas da Vidigueira que distam a setenta quilómetros da nossa adega, são transportadas em camião frigorífico, ou seja a baixa temperatura tem dados resultados em termos de qualidade final do produto e cada vez mais são os viticultores a optar por este método”.
A poucos quilómetros da Vendinha, chegamos a Reguengos onde a Carmim se prepara para receber nestes dias mais de 15 milhões de Kg de uvas provenientes dos seus cerca de seiscentos sócios. Os tractores com os reboques em aço inoxidável descarregam  nos taigões, separadas por castas tendo algumas sido colhidas à mão, na forma tradicional, outras à máquina. Rui Veladas é o enólogo responsável que acompanha a chegada das uvas e que nos refere “estou convencido que vamos ter um bom ano de vinhos se não vierem chuvas nos próximos dias das vindimas. Iremos ter uma boa campanha. Estamos a contar recepcionar mais uvas, fruto de maior produção, especialmente nas uvas brancas, que tiveram alguma quebra em 2009 e as uvas que estamos a recepcionar são de castas mais precoces e a fazer uma vindima mais calma, à alentejana (risos). Iremos ter bons vinhos, pois a qualidade das uvas é muito boa. Na Herdade Monte da Cal - Carlos Lucas acompanha a vindima a partir das cinco da manhã e que termina por volta do meio dia, nos talhões em que é feita à mão a vindima.
Muitas serão vindimadas à máquina e uma vez chegadas, são esmagadas e colocadas na prensa afim de entrarem na fermentação. Esta empresa detentora desta Quinta, será das poucas em Portugal que nos poderá fazer um “retrato” do que será a produção de uvas nas varias regiões do país, já que fundada no Dão, tem produção de uvas em todas as regiões de Portugal e certamente vão andar ocupados mais de mês e meio com as vindimas. Mas a mecanização ainda não chegou a  todo o país e nos próximos dias por todo o país se labuta nesta tarefa. Sobre costumes e tradição, sobretudo no Norte, poderemos ver e sentir que a vindima é uma autêntica época festiva e a alegria, simples, do povo é hoje cada vez mais uma aposta do enoturismo já que cada vez mais são as quintas que oferecem a possibilidade dos turistas visitarem e vindimar.

Vindimas nocturnas: Melhores vinhos

O barulho da máquina de vindimar quebra o silêncio nos vinhedos do Alentejo. No céu brilham estrelas. No solo espelham as luzes da máquina operada por dois funcionários, que começaram a vindima à onze da noite quando as uvas estão mais frescas. Há uns anos que cada vez mais adegas optam por fazer vindimas nocturnas que permitem um vinho de maior qualidade. Enquanto o manobrador, manobra o veículo pelos corredores da vinha os cachos desprendem-se com mais facilidade. E que entre a meia-noite e as oito da manhã é possível vindimar três hectares. Mas não é só o trabalho que é mais rápido.
Vindimar à luz da lua tem a vantagem de se evitar a perda de características das uvas, como os aromas e a acidez, que são afectadas pelo calor do dia, segundo referem os enólogos com quem falámos.  O ambiente mais fresco é melhor para quem trabalha, que assim não tem que estar sujeito ao calor. Depois existem ainda outros ganhos, como a poupança de energia já que não é necessário levá-las para as câmaras frigoríficas para baixar a temperatura antes de entrarem nos bancos de fermentação, onde a temperatura do fruto não deve ser superior a 13 graus centígrados.
Às nove da manhã normalmente já todas as uvas vindimadas estão dentro dos depósitos de fermentação.

António Freitas
afreitas@mundoportugues.org



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