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Mais mortos nas estradas nacionais em 2010

Segunda-Feira, 30 Agosto de 2010
A boa imagem de um país moderno, acolhedor, apetecível do ponto de vista turístico fica “manchada” pelas tristes notícias que nos chegam dos fogos no Verão e de uma outra tragédia - as mortes nas estradas portuguesas. Até 15 de Junho, última data com dados actualizados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), estavam contabilizadas 355 vítimas mortais, mais uma que em 2009. O trágico acidente na A25, cujas imagens correram mundo, e que fez seis mortos, ainda não está contabilizado nestes dados da ANSR.

Imprudência, falta de civismo, excesso de velocidade e falta de formação e treinos dos condutores, aliado a alguns erros  no traçado das estradas e sinalização a que se junta a falta de fiscalização por parte das autoridades, depois de extinta a Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana, são factores que explicam o aumento da taxa de sinistralidade e por conseguinte o número de mortos nas estradas portuguesas. Hoje com um parque automóvel novo ou comparável a qualquer país europeu e com muitas vias rápidas não haveria motivo para tantos acidentes e alguns de grande gravidade como o recente que aconteceu na A25.
Assiste-se que por altas velocidade, não respeitarem as distâncias entre veículos, cada vez mais estão a acontecer acidentes em cadeia de grandes proporções. Em bom lembrar que em 2000, um choque na A1 que envolveu 223 veículos levou à criação de um protocolo específico para acidentes em cadeia, entretanto assinado por mais de 30 seguradoras que actuam em Portugal.  Desde então, este protocolo já foi accionado por quatro vezes: em Dezembro de 2003, num acidente na A1 que envolveu 23 veículos; em 2004, num choque na A23 entre 71 automóveis; em Outubro de 2005, num sinistro da A1 de 25 veículos e, em Novembro, do mesmo ano num acidente de 70 veículos. O protocolo para choques em cadeia prevê a indemnização imediata dos proprietários dos veículos. As seguradoras envolvidas neste último grave acidente na A25 accionaram o protocolo para choques em cadeia, que prevê a indemnização imediata dos proprietários dos veículos antes do apuramento de responsabilidades.  Ao abrigo deste protocolo as seguradoras abdicam do apuramento da responsabilidade e regularizam os danos materiais ou corporais directamente com os seus segurados», explicou Miguel Guimarães, director-geral adjunto da Associação Portuguesa de Seguradores. Num acidente de trânsito sem estas características, as seguradoras fazem a peritagem do sinistro para avaliar de quem é a culpa e depois de apuradas as responsabilidades, a seguradora do veículo culpado assume as despesas pelos danos causados no outro automóvel. Quando o protocolo é  accionado para o choque em cadeia, cada seguradora «assume os danos ocorridos nos veículos da sua própria companhia», ainda antes de concluído o processo de peritagem do acidente, o que torna o «processo de indemnização muito célere», acrescentou um responsável da Associação Portuguesa de Seguradores.

Sinistralidade Rodoviária

 A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) alerta para a falta de patrulhamento em circulação nas auto estradas, que considera um factor de risco adicional em acidentes como o ocorrido na A25.
“Se a GNR fizer patrulhamento em circulação é mais provável que as pessoas conduzam numa velocidade mais ajustada. Mas a política de patrulhamento da GNR está virada de pantanas e o patrulhamento em circulação não se faz”, defendeu em declarações à Lusa o presidente da ACA-M, Manuel João Ramos. De verdade é mais comum sermos autuados com pesadas multas por circular dentro de uma grande cidade pela PSP a 80 KM/h do que circular numa auto-estrada a 200 km/h. A A25 – uma SCUT - foi, no dia 23 de Agosto, palco de dois acidentes dos mais graves que tiveram lugar este ano junto ao nó de Talhadas, em Sever do Vouga, um em cada sentido, causando seis mortos e 72 feridos, dos quais 48 em estado grave. Os dois acidentes envolveram mais de meia centena de veículos. Segundo disse aos jornalistas fonte oficial da GNR, os dois acidentes terão sido causados pelas “condições atmosféricas adversas”, ou seja os condutores numa auto-estrada de montanha que parte de um cota junto a Aveiro e que vai subindo e por conseguinte ser propícia a nevoeiros, continuam a rolar à mesma velocidade, ou seja velocidade excessiva. Culpar o mau tempo, ou condições atmosféricas adversas, pela causa efeito deste grave acidente é um paradoxo, pois basta pensar que na Suécia há um décimo dos acidentes que existem em Portugal e que o tempo e o clima na Suécia é muito pior do que cá, mostra bem que o problema não é o mau tempo mas é a incapacidade que as pessoas têm de compreender que devem ajustar a sua condução às condições climatéricas. As SCUT não são auto estradas a sério, são auto estradas de montanha com uma tipologia que não as define como auto estradas e os condutores avaliam tudo pela mesma medida e não sabem circular nestas vias.

460 mortes até 31 de Julho

Os acidentes nas estradas portuguesas, entre 01 de Janeiro e o final de Julho, fizeram 460 mortos e 1632 feridos graves, números semelhantes àqueles registados no mesmo período de 2009, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. O acidente que ocorreu na A25 e que fez seis mortos e causou 72 feridos, ainda não está contabilizado nestes dados da ANSR.  No período desde o início do ano, o distrito do Porto lidera o número de vítimas mortais, com 63 casos, e Lisboa está à frente na lista de feridos graves, com 215. Lisboa é o distrito com o segundo maior número de mortos no trânsito rodoviário, com 61, e o Porto ocupa o segundo lugar na contagem dos feridos graves, com 167. Santarém surge em terceiro lugar no que respeita a feridos graves, com 136, e Aveiro no número de vítimas mortais nas estradas, com 46.
No Porto, Lisboa e Aveiro o número de mortos devido a sinistralidade nas estradas aumentou face ao mesmo período de 2009. No primeiro caso, foram mais 20 vítimas mortais, em Lisboa o acréscimo foi de oito e em Aveiro de seis.
A ANSR refere que o conceito de «morto» abrange apenas as vítimas cujo óbito ocorreu no local do acidente ou durante o transporte até à unidade de saúde, mas muitos dos feridos graves vêm a afelecer o que ainda faz aumentar esta lista negra rodoviária. Na primeira quinzena de Agosto morreram nas estradas portuguesas 42 pessoas, o que equivale a quase três mortos por dia vítimas de acidentes. Só na  semana, de 8 a 15, morreram 28 pessoas. Os apelos à prudência repetem-se e, mais uma vez, este ano, a tónica da campanha de prevenção da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que está a ser levada a cabo em parceria com os 18 governos civis, foi colocada na redução da velocidade nas férias. Mas o número de acidentes e vítimas da estrada continua elevado: de acordo com dados da GNR e da PSP, nos primeiros 15 dias de Agosto registaram-se 6553 acidentes, de que resultaram 42 mortos, 146 feridos graves e mais de dois mil feridos ligeiros. Uma média de 436 acidentes de trânsito por dia, nem todos com vítimas. Ainda assim, os dados da GNR revelam uma tendência de redução do número de acidentes nos primeiros 15 dias de Agosto: no ano passado registaram-se 4373 acidentes na área da GNR neste período, este ano são 4245, uma redução de mais de uma centena. Também os dados comparativos anuais da ANSR apontam para uma redução da sinistralidade: entre 15 de Agosto de 2009 e 14 de Agosto de 2010 registaram-se menos 22 mortos e menos 23 feridos graves do que em igual período do ano anterior. Apesar dos apelos e das campanhas de sensibilização, os condutores portugueses insistem nos comportamentos de risco ao volante. Numa operação de fiscalização realizada num fim-de-semana em que foram fiscalizados 17098 condutores, a GNR deteve 138 pessoas por condução com excesso de álcool no sangue e 60 por falta de habilitação legal para conduzir. Dos 9275 condutores sujeitos ao teste de alcoolemia, 405 acusaram excesso e dos 131112 veículos sujeitos ao controlo de velocidade, 1458 circulavam acima da velocidade permitida. Houve 4232 autuações por contra-ordenações ao Código da Estrada, com especial destaque para a falta do uso do cinto de segurança à rectaguarda, o uso indevido de telemóveis e a falta de inspecção periódica ao automóvel. José Manuel Trigoso, director-geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa, preferiu não comentar os números da sinistralidade (por se tratar de um período curto), mas pôr a tónica na (pouca) eficácia das campanhas de sensibilização.
Critica que sejam feitas “à solta” e que não sejam integradas numa “estratégia global e coerente de política de segurança das estradas”, que teria de passar também por uma formação e avaliação mais rigorosa dos condutores, defendeu. Depois de se ter baixado os limites de velocidade para velocidades pouco aceitáveis de 50 KM/h dentro das localidades e do limite dos 120 Km/h nas vias rápidas os acidentes não param de aumentar e é necessário uma maior fiscalização ou educação dos autombolistas em Portugal para que o nosso país saia da cauda destes números negros e comece a dar uma melhor imagem!   




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