O Emigrante / Mundo Português
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Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 16:08 (Açores 15:08)
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Dois luso-descendentes ao encontro de Portugal

Bianca e Daniel têm 25 e 18 anos, respectivamente. Nasceram e vivem na África do Sul, mas têm em comum as mesmas raízes: são filhos de portugueses e mantêm uma forte ligação à terra dos pais. Nos próximos dois meses, O Emigrante/Mundo Português vai acompanhá-los e apoiá-los na realização de um «sonho»: percorrer Portugal, ao encontro de uma cultura, de tradições e de um povo que também é o deles. A «aventura» como diz Bianca, já começou: Viana do Castelo foi a primeira etapa, e a Romaria da Sra da Agonia vai ficar na memória dos jovens luso-descendentes. Com a palavra, Bianca Martins...

"Depois de ter viajado e explorado o Sudeste Asiático nos últimos quatro meses, decidi que era hora para uma nova aventura! Arrumei a minha mochila, que tem sido literalmente a minha casa, e rumei a Portugal. Liguei ao meu primo Danny que vivia em Londres e perguntei se ele estaria interessado em vir conhecer Portugal durante os próximos dois meses. Ficou tão animado quanto eu com a perspectiva de uma viagem.
Era a oportunidade perfeita não só de visitar a família, mas também de voltar às nossas raízes e explorar o país de nossa origem. Ambos nascemos e fomos criados na África do Sul por pais portugueses e sempre tivemos como prioridade manter uma forte ligação à cultura portuguesa ao longo da nossa infância. Logo, esta viagem tornou-se mais um sonho, do que apenas uma outra das nossas aventuras.
Com a generosidade e entusiasmo do jornal O Emigrante/Mundo Português e do administrador, Carlos Morais, a nossa viagem estava a caminho. Agosto é indiscutivelmente o melhor mês para viajar em Portugal. O clima é perfeito para ir à praia, há imensas festas tradicionais e a febre de férias está em alta. Partimos com pouco mais do que uma carrinha, sem experiência anterior de condução no lado direito da estrada, e apenas um roteiro nas mãos.

1ª Etapa: Viana do Castelo

A nossa primeira paragem foi uma das maiores festividades anuais em Portugal: a Romaria de Nossa Senhora D’Agonia, realizada em Viana do Castelo. Depois de três horas de viagem de carro deixando Lisboa para trás, chegamos ao nosso destino, com absolutamente nenhuma ideia do que nos esperava.
Fomos literalmente engolidos pela multidão. Milhares de pessoas vieram de todo o lado para participar nas festividades. Todos os espaços de estacionamento, passeios e qualquer outro lugar possível para este fim, estavam ocupados por carros. Milhares de pessoas vestidas com os trajes tradicionais seguiam alegremente o seu caminho, serpenteando pelo labirinto de carros e becos em direcção à Praça da República para ver a Filarmónica de Vila Nova de Anha e para o Jardim D. Fernando para ver a Sociedade Musical Banda Lanhelense.
Depois de admirar a Procissão, rumamos em direcção ao nosso jantar. Fizemos o nosso caminho até a praia e sentamo-nos confortavelmente no Náutico Restaurante Bar, onde o cheiro da sardinha assada acabadinha de sair do grelhador enchia o ar. A proprietária, Dona Guida Barbosa, trouxe-nos uma travessa do prato do dia «Carne de Porco à Alentejana». Uma coisa tem de ser dita: a comida portuguesa é uma delícia gastronómica!
Comemos e bebemos para o deleite de nossos corações enquanto elaborávamos um plano muito necessário: “Onde iríamos passar a noite, visto que os alojamentos em Viana do Castelo e arredores estavam totalmente cheios?”
Depois de passear pela Festa do Traje, enquanto devorávamos uma variedade dos melhores bolos e doces de Portugal, regressamos para o que viria a ser o nosso quarto para aquela noite: a nossa carrinha. A sorte foi que àquela hora estávamos tão exaustos, que nem nos apercebemos que iríamos passar a noite na bagageira de uma carrinha sem cobertores, almofadas ou outro tipo de luxo.

Meia de leite, gigantones e cabeçudos…

Acordamos na manhã seguinte cheios de frio, mal-humorados e suportando dores em lugares que nunca imaginamos ser possível. Aprendemos uma válida lição: “Nunca chegar a festivais de forma inesperada, sem reservas feitas ou então com material próprio para dormir.” De qualquer maneira, a noite já era passada e as Festas seguiam para o terceiro e último dia.
À boa maneira portuguesa fomos até uma pastelaria tomar o bem merecido pequeno-almoço, uma tosta mista acompanhado de uma meia de leite. Já com as barrigas aconchegadas e o espírito um pouco mais em alta, rumamos para a Revisa de Gigantones e Cabeçudos.
A Praça da República encheu-se novamente ao som dos bombos. As pessoas juntaram-se de forma a conseguirem ter a melhor vista possível dos Grupos de Zambumbas e Zés Pereiras. À medida que as festas continuavam, as ruas foram-se enchendo com cada vez mais pessoas de diferentes nacionalidades. Foi incrível ver que pessoas de todas as idades estavam envolvidas, vestindo roupas tradicionais, participando, dançando e aplaudindo.
Encontrávamo-nos no ponto alto das festividades com as bandas a girar ao redor. A diferença entre os conjuntos era perceptível, visto que cada um tinha um estilo individual tanto nos trajes como na musicalidade. Algumas dos nossos conjuntos preferidos foram o Viana Bombos, Os Amigos D’Areia e Zés P’reiras.
O auge das festividades foi quando a cada banda foi dada a oportunidade de executar um solo, em frente ao Domus Municipalis. Á medida que cada conjunto chegava à sua actuação final, tentavam destronar os outros apresentando uma música diferente e mais alta. A batida dos tambores era de tal modo impressionante com toda a multidão a aplaudir, que se podia sentir a energia no ar. Foi sem dúvida uma sensação revigorante.
Ao regressarmos para a nossa carrinha, uma tasca chamou-nos à atenção e entramos para saborear uma típica refeição portuguesa. Sentamos os nossos corpos cansados e minutos depois já a sopa fervia à nossa frente… o Bacalhau à moda de Braga já vinha a caminho. A comida estava sumptuosa, uma delícia bem merecida. Foi a maneira perfeita de terminar em grande a nossa aventura por Viana do Castelo."

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