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Estados Unidos:Introdução do português nos exames de acesso a universidades foi negada

Segunda-Feira, 30 Agosto de 2010
O College Board, entidade que gere os exames de acesso às universidades nos Estados Unidos, negou uma
abordagem de Portugal para que essas provas possam ser feitas em língua portuguesa, mas a Fundação
Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) afirma que vai manter o objectivo, apesar de assumir que será “uma batalha longa”.

“É uma batalha longa que envolve muitas pessoas na Embaixada em Washington, na comunidade e Fundação Luso-Americana, muitas instituições”, disse à Lusa António Luís Vicente, subdiretor da FLAD. O objectivo passa por ter um exame AP - «Advanced Placement» -  em língua portuguesa, um dos tipos de exames genéricos que os alunos norte-americanos realizam para determinar a sua aptidão. Enquanto em Portugal os alunos fazem exames específicos para os cursos que pretendem, nos Estados Unidos os exames são genéricos, e só mais tarde no curso existe a opção para uma especialidade em que se pretendem licenciar.
Para António Vicente, os exames AP em português seriam uma vantagem para os luso-descendentes, mas também um factor de afirmação da língua, que se reflectiria numa maior oferta de cursos de português no ensino liceal.
“Iria afirmar o português no sistema educacional. Nós sabemos que por causa do Brasil há enorme interesse pela língua, mas sabemos também que há muito a fazer para promover a língua”, disse à Lusa. O exame, acrescentou o responsável da FLAD, serviria de incentivo para pedir às autoridades escolares para introduzirem o português nos currículos dos liceus.Actualmente o College Board oferece exames em muito poucas línguas estrangeiras. Ao fim de muitos anos de pressão por parte do lóbi italo-americano, foi criado um AP em italiano, mas extinto ao fim de dois anos com o argumento de que não havia procura suficiente.
Através do Governo e da FLAD, Portugal disponibilizou-se para financiar os custos de desenvolvimento destes exames, mas mesmo assim a resposta foi negativa. O lóbi envolve também os congressistas luso-americanos em Washington, que já se reuniram com a direcção do College Board, à qual sublinharam a importância do português para o país.
A resposta norte-americana, diz Vicente, é que “é muito difícil, leva muitos anos de desenvolvimento”. “Não é nada contra o português, mas é uma instituição bastante conservadora”, sublinha.



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