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De Melgaço a Arcos de Valdevez um passeio pelo Alto Minho

Terça-Feira, 31 Agosto de 2010
A Volta a Portugal do Emigrante/Mundo Português segue esta semana da beira mar para as terras verdejantes do Alto Minho. Fomos conhecer mais em pormenor as localidades de Melgaço, de Valença, de Ponte de Lima e de Arcos de Valdevez, convidando os nossos leitores a visitarem também esta bela região de Portugal.

Localizada no extremo noroeste de Portugal, no Alto Minho, Melgaço é uma bonita vila, sede do concelho mais a norte de Portugal, inserida numa região montanhosa, banhada pelo rio Minho.
Com este rio como pano de fundo, Melgaço estende-se até às serras da Peneda e do Soajo. Graciosa sede de concelho, o município preserva os traços medievais de outrora nas típicas ruelas de calçada à portuguesa, nos telhados e muros com patine ancestral e na velha fortificação. Mas o tempo passou e a vila, alargando a “cerca”, abriu-se ao presente, expondo-o em modernos largos e alamedas e em ruas amplas e arejadas.
A principal festa local é a Festa do Alvarinho e do Fumeiro, que decorre anualmente, durante o mês de Abril. Organizada pela Câmara desde 1994, com o objectivo de promover a divulgação e a venda dos produtos locais, como o vinho Alvarinho, o presunto, o chouriço, a broa e o mel, a Festa tem atraído cada vez mais visitantes, dando um contributo decisivo para incentivar a qualidade, a variedade e a quantidade de produtos e produtores locais.
No campo do património, destaque para o Castelo de Melgaço, construído em 1170, por ordem de D. Afonso Henriques. O castelo apresenta uma planta circular, pouco vulgar em Portugal. Três torreões tinham a missão de defender a fortaleza, coroada por uma central torre de menagem com varandim, à qual muito dificilmente o ini-migo acedia. O castelo está compartimentado em três pátios e tem duas por-tas de diferentes dimensões. A maior abre-se sobre um pátio com cisterna, dando acesso ao que poderá ser a alcaidaria. A cerca que protegia a vila, e da qual ainda subsistem alguns panos, foi construída em 1263 por D. Afonso III.

VALENÇA

Sobre uma pequena elevação bordejada pelo rio Minho, que separa da Galiza, ergue-se a vila amuralhada de Valença. Do tempo da romanização conserva o marco epigráfico que assinalava a via romana que ligava Braga a Tui; do reinado de D. Sancho I guarda a ordem de povoamento; e de D. Afonso II a confirmação do foral.
Chamava-se então Contrasta, por oposta que é à povoação fronteira de Tui. Hoje é conhecida por Valença, e na sua história ficaram igualmente as memórias das guerras da Restauração, das invasões napoleónicas e das lutas liberais oitocentistas. Entrar hoje na velha fortaleza de Valença é mergulhar num mundo medieval de ruazinhas estreitas e casas seculares, animadas por coloridos bazares naquele que é um dos maiores centros comerciais do Minho.
As suas muralhas, por mais de uma vez destruídas pelas invasões ora dos bárbaros, ora dos árabes e até pelas invasões francesas dos princípios do séc. XIX, mas sucessivamente reconstruídas, são o ex-libris da localidade, únicas neste género no país. Merecem para o forasteiro, para o turista observador e interessado, uma visita demorada, seja pelo seu traçado único, seja pela sua extensão, ou pela sua conservação e beleza.
Não deixe de visitar a fortaleza, constituída por dois corpos, que se foi modificando através dos séculos, ao sabor das necessidades e da ciência militar. Percorra os arruamentos sinuosos e estreitos, com a sua pavimentação característica, e aprecie a fachada maravilhosa dos muitos edifícios.
Turisticamente, Valença é hoje um centro, um pólo de grande atracção e interesse. O comércio desenvolveu-se extraordinariamente nos últimos anos, tal como a indústria hoteleira e similar.
Valença orgulha-se também da sua gastronomia, e fará as delícias de quantos a visitarem. Alguns dos pratos típicos são a lampreia à minhota, a truta salmonada, o bacalhau à S. Teotónio, o cabrito à Sanfins, ou o carneiro à Gondomil.

PONTE DE LIMA

A vila de Ponte de Lima caracteriza-se essencialmente por ser uma zo-na de forte impacto turístico, um concelho com um vasto acervo patrimonial, quer arquitectónico, quer arqueológico quer paisagístico, um importante nó de comunicações rodoviárias. No âmbito de um projecto que pretende tornar o Centro Histórico da vila de Ponte de Lima mais atraente e acessível à população e visitantes, a autarquia implantou para além de outros projectos um “Percurso Turístico Pedonal”.
O percurso turístico é composto por algumas placas de sinalização colocadas ao longo da muralha, principais monumentos e de exemplos de arquitectura com qualidade, permitindo aos turistas uma percepção da vila de Ponte de Lima e do seu património.
Este tipo de sinalização concede a todos os visitantes um conhecimento geral da vila, em qualquer dia da semana e a qualquer hora do dia.
Em Ponte de Lima, de entre as tradicionais festas dos santos populares que se realizam pelo concelho destacam-se as Festas de Feiras Novas. Este desfile dura três dias, ao longo dos quais o folclore, as cantigas ao desafio, a etnografia, a pecuária e a história se entrelaçam para receber os visitantes.
No campo do património, destaque para a Ponte sobre o Lima, formada por dois troços distintos, um romano e outro medieval. O século I é a altura provável da construção da Ponte Romana, visto por ela passar a via iniciada pelo Imperador Augusto.

ARCOS DE VALDEVEZ

Em pleno coração do Alto Minho, no sopé da Serra da Peneda e anichada nas margens do rio Vez, a antiga e histórica vila de Arcos de Valdevez orgulha-se dos seus valiosos monumentos religiosos e casas nobres. A imponente Igreja da Senhora da Lapa, de estilo barroco e construída em 1767, vê o seu exterior oval adoptar uma curiosa forma octagonal no interior.
Vista do monte do castelo, a vila exibe todo o encanto das suas ruas e casario irregular, velhas mansões e igrejas. A terra que a rodeia é fértil e verdejante, semeada de ribeiros que servem de abrigo à truta.
Deixando a vila a caminho das aldeias de Ázere e Mezio, o isolado Paço de Giela constitui um magnífico exemplo de uma habitação senhorial da Idade Média, formada por casa e torre em pedra.
A povoação milenar de Soajo, provavelmente fundada no século I, aninha-se entre os terraços da encosta montanhosa e é conhecida pela sua colecção de velhos espigueiros (construções graníticas de arquitectura tumular, encimados por uma cruz ou pirâmide, que serviam para guardar as espigas).  A cozinha regional gaba-se de uma óptima vitela assada e de um típico cozido à portuguesa.
A vila de Arcos de Valdevez fica também a uma distância conveniente para quem pretenda visitar o Parque Natural da Peneda-Gerês, que, com o seu cenário agreste, aldeias características e fauna rica e variada, constitui uma das maiores atracções naturais do país.


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