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Talasnal: Na Serra da Lousã uma aldeia às portas do paraíso

Segunda-Feira, 06 Setembro de 2010
As mil voltas que damos para descobrir o Portugal ainda desconhecido levaram até à Serra da Lousã numa tarde de sol abrasador que elevou a temperatura bem para lá dos 40 graus. Um idoso que descia a estrada da serra em passo firme e que parecia não se incomodar muito com o calor, respondeu à pergunta. Para aldeia do Piódão vai-se bem por aqui? – Que sim, que também se podia ir por ali sim senhor, e o Piódão até era um passeio bem bonito, mas que se quisesse ver uma aldeia “a sério” igualzinha “ao antigamente”, que fosse ao Talasna. Era sempre a subir a serra, a direito, e não tinha nada que enganar... 

E ainda bem que não tinha porque por estes caminhos não há indicações, nem GPS nem rede de telemóvel. Mas também não faz falta porque a direita da estrada é um mar de pinheiros bravos bordados por uma mata densa e cerrada e à esquerda são precipícios a perder de vista. No único cruzamento onde podia haver dúvidas lá aprece uma placa tímida a indicar-nos a direcção do Talasnal.
Sempre a subir, seguindo o instinto por uma estrada que se transformou num trilho pedregoso que nos desengonça em cada curva e que se estende preguiçosamente pela serra acima, aqui não há perto nem longe, o carro não avança a mais de 20 km por hora e a subida vai-se tornando num sofrimento com a sensação de estarmos precisamente no meio de sítio nenhum.
Assalta-nos um pensamento: E se for preciso sair daqui com urgência? Aqui não há pressa e quem vem a este local tem de saber que a noção de tempo é outra, apesar de não estarmos a mais de 30 km da Lousã, o tempo é tão diferente que parece que somos transportados para centenas de quilómetros.
Finalmente depois de uma curva mais apertada surge-nos diante dos olhos o Talasnal em todo o seu esplendor. No cimo de uma vereda a aldeia toda de xisto, domina toda aquele lado da Serra. Vista à distância a aldeia parece um presépio com as  casinhas todas abraçadas umas às outras desordenadamente, mas fazendo um conjunto admirável de harmonia parecendo até que foram feitas assim tão baixinhas por não haver mais espaço entre a montanha e o céu.
Finalmente o carro descansa da longa subida na beira da estrada, é o tempo de entrar na aldeia, de mergulhar naquele mar de xisto, onde não se vê tijolo, cimento ou azulejo. As casas estão impecavelmente conservadas e por detrás das janelas há cortinas garridas e sardinheiras nas floreiras. Por entre as passagens estreitas descobrem-se latadas a ligar os dois lados da rua e muros de hortênsias de várias cores.
Passa-se bem o dia a deambular por ali, espreitando aqui ora acolá, é o privilégio de quem entrou na máquina do tempo e se sente quase numa aldeia medieval. Claro que o Talasnal é dos anos vinte e trinta, mas chega a parecer incrível como tantas pessoas ali nasceram, viveram e acabaram por morrer.
Nessa época a distância que os separava da Lousã era enorme e por isso raramente lá iam, permanecendo anos a fio na sua aldeia onde tinham tudo o que precisavam para sobreviver. Na Lousã eram conhecidos pelas “Gentes da Serra”.

Talasnal já não é aldeia fantasma


No final da imensa escadaria que conduz ao longo de toda a aldeia existe um único estabelecimento. Um pequeno café, tão pequeno que temos de baixar a cabeça para lá poder entrar, mas o acolhimento é caloroso. A oferta é escassa, e resume-se a alguns produtos de artesanato e mel, mas a maior tentação é mesmo um cafezinho feito numa máquina rudimentar. Os bancos são troncos de madeira e as mesas grandes lajes de lousa. Nas paredes de pedra estão expostos utensílios de outros tempos: cadimas – espécie de serrote usado por duas pessoas que serviam para cortar madeira; um ou outro mangual – instrumento que servia para bater o milho nas debulhas. Nos barrotes do tecto, vários papéis pendurados com dedicatórias são testemunhos de quem por aqui passou.
Sentimo-nos na atmosfera acolhedora de uma casa particular e não de um estabelecimento comercial. O proprietário conta que comprou esta casa “ainda baratinha” e que vem cá nas férias e ao fim de semana. Viver cá? Não isso não, era impossível ainda não há condições, mas já há quem cá vá estando e que aqui consiga ganhar a vida à frente de um computador.
É o caso de um jovem de 29 anos – conta – que a partir daqui desenvolve apoio informático para empresas e onde constrói “web-sites”. Vivia na Lousã, mas farto das buzinas dos automóveis decidiu mudar-se para a “paz do senhor”. Veio para a serra há seis anos e até hoje ainda não se arrependeu. As condições também são melhores: o programa de recuperação das Aldeias do Xisto, trouxe para o Talasnal o telefone, a electricidade, a água canalizada e até, pasme-se, a internet de banda larga.
E não está sozinho este jovem habitante do Talasnal, ali moram permanentemente cinco habitantes, uma casa que arrenda quartos e um restaurante que funciona ao fim de semana, tudo isto num conjunto de setenta casas. Já parece uma “grande cidade” porque durante anos a fio apenas aqui morou um casal septuagenário que nunca emigrou e nunca daqui saiu.

Fica prometido o regresso

As coisas no Talasnal começam a querer mudar, mas nem tudo é para melhor. A especulação imobiliária também já chegou à aldeia serrana onde uma casa para recuperar que ainda há bem pouco tempo custava 40 ou 50 contos, pode custar agora bem perto dos 10 mil.
Seja como for este é um passeio que lhe aconselhamos vivamente numa próxima oportunidade que passar pela Lousã e assim poder encontrar um pedaço de paraíso nesta serra que soube sobreviver ao esquecimento dos homens.
Deixámos para trás a aldeia do Talasnal imponente e altiva que nos soube desafiar a visitá-la e que sobretudo nos seduziu depois deste primeiro encontro. Encetámos o caminho de regresso “à civilização”, mas foi com alguma tristeza que fomos descendo prometendo à montanha que este encontro não seria o último.

A inesquecível chanfana do restaurante «Ti Lena»
O único restaurante da aldeia só funciona ao fim de semana e o nome homenageia a mais velha habitante da terra.
Amélia Dias, é uma das proprietárias do restaurante Ti’Lena. É o único restaurante que existe na aldeia, funciona apenas por marcação e só ao fins-de-semana. Este espaço nasceu depois do filho de Amélia Dias ter descoberto o Talasnal num acampamento de escuteiros. Apaixonou-se de tal forma pela povoação que acabaria por convencer a família a visitar a aldeia. Cativada, Amélia juntou-se com a irmã Lizete Dias numa sociedade que funciona com muita dedicação.
Durante a semana, Amélia vive e trabalha em Coimbra, mas à sexta-feira ruma com a irmã Lizete, de Leiria, para a Serra da Lousã.«As compras são feitas durante a semana, como se fosse para a minha própria casa», conta Amélia animada. «Não há quem queira trazer as coisas para aqui, temos que transportar tudo sozinhos», resume, salientando que a excepção é feita pelo fornecedor que traz a carne de cabra, criada nos arredores. A chanfana é uma das especialidades da casa que está decorada de forma rústica.
Nas paredes, de xisto à vista, figuram vários objectos das lides agrícolas e uma lareira ladeada por bancos em pedra convida a horas esquecidas de conversa. Todos parecem conhecer-se há muito. Turistas trocam longas palavras entre eles e as proprietárias juntam-se à tertúlia. Fala-se de tudo, mas os segredos das receitas ficam bem guardados. Olhar de outros tempos Ti’Lena é mais do que um restaurante, aliás não foi baptizado com este nome por acaso. É uma homenagem à mais velha dos quatro habitantes permanentes do Talasnal.
Tem mais de 80 anos e nos olhos de azul profundo lêem-se tempos de duro trabalho no campo.De lenço na cabeça, sentada à porta da loja de artesanato da filha, que também aos fins-de-semana abre portas, conta histórias que a memória não apaga. Lembra os tempos passados na cidade da Lousã, enquanto a filha estudava, e o choque que foi regressar à aldeia. «Todos os dias chorava, mas acabei por me habituar. Agora já não me importo», conta.Os “invasores” de fim-de-semana não a incomodam. Também a eles se habituou.

ONDE FICAR
Casa do Vale Linteiro CC
Terra da Gaga - Serpins,
3200-350 Lousã
(+351) 239 404 377
(+351) 962 587 453
valelinteiro@portugalmail.pt
www.valelinteiro.com

Hotel Meliá Palácio da Lousã
Rua da Viscondessa do 3200-257 Espinhal
(+351) 239 990 800
(+351) 962 587
(+351) 239 990 80
info@palaciodalousa.com
www.palaciodalousa.com

Pousada da Juventude da Lousã
Rua da Feira
(+351) 239 994 354
(+351) 239 995 565
lousa@movijovem.pt

Casa da Eira
Casal do Ermio
3200-010
(+351) 916 191 089
(+351) 239 995 478
info@casadaeira.com.pt
www.casadaeira.com.pt
Situada junto à Praia Fluvial da Bogueira, com quartos com terraço privativo para a Serra.

Quintal de Além Ribeiro TR
Ceira dos Vales
3200 Lousã
(+351) 239 996
(+351) 963 323 805
(+351) 239 996 479
quintal.tr.lousa@sapo.pt
www.alemdoribeiro.com

Casa Princesa Peralta
Talasnal - Lousã
3200-120
(+351) 239 441 787
(+351) 963 086 754
www.casaprincesaperalta.com
Turismo em Espaço Rural

Villa Jesuína
Vale Madeiros, Serpins Lousã
3200-355
(+351) 962 561 573
(+351) 239 971 193
villajesuina.blogspot.com
Casa do Casal
Casal Novo
(+ 351) 966 714 997
jcatela@yahoo.com
www.louzan.web.pt

Camping Coimbra
Rua da Escola, Alto do Areeiro, Stº António dos Olivais
3030-011 Várias
(+351) 239 086 902
(+351) 239 086 902
coimbra@cacampings.com
www.cacampings.com

Parque de Campismo de Serpins
Largo da Srª da Graça - Chão de Campos, Serpins
3200-358
(+351) 239 971 454
(+351) 239 971 454
(+351) 919 219 851
(+351) 239 971 141
geral@campingserpins.com
http://www.campingserpins.com/index.html

ONDE COMER
Ti Lena
Talasnal - Lousã
Lousã
(+351) 933 832 624
(+351) 933 832 624
Especialidades: Cabrito assado com batata e castanha, Chanfana, Bacalhau assado com batata a murro, Negalhos e Arroz de pato.

O Burgo
Nossa Senhora da Piedade - Lousã
3200 Lousã
 (+351) 239 991 162
restaurante@oburgo.pt
www.oburgo.pt

José Manuel Duarte
jduarte@mundoportugues.org




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