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ComunidadesEspecialista acredita que grafia do português «pré-acordo ortográfico» vai manter-se em MacauSegunda-Feira, 06 Setembro de 2010
Macau deve preservar a grafia do português anterior ao novo acordo ortográfico, porque a administração chinesa vai preferir o “status quo” a fazer “mudanças bruscas” no ensino do português, língua oficial da região administrativa. A opinião é de Joseph Levi, ex-professor da Universidade de Macau e director do centro de línguas da Universidade de Hong Kong. “Não faz sentido mudar, segundo o governo central, porque há manuais já prontos, professores formados que vieram de Portugal. Não há este interesse em usar o acordo”, disse à Lusa o professor de filologia portuguesa, que regressou este ano da Ásia. Para Levi, formado na Universidade de Lisboa, e actualmente docente na universidade norte-americana de George Washington, a preservação da grafia anterior ao acordo é um factor de enriquecimento do português. “É bonita esta diversidade, mostra a riqueza da nossa língua e culturas. Concordo com o que se está a passar em Macau. Se faz parte da cultura e da identidade, bem-haja”, disse no final de Agosto em entrevista à Lusa, à margem da Conferência sobre o Ensino do Português e Culturas Lusófonas, que decorreu em Fall River, nordeste dos Estados Unidos. “Pessoalmente, prefiro a maneira antiga, mas percebo que temos de ir para a frente, tudo bem. Agora não estou de acordo, e algumas das palavras que foram modificadas… foi uma violência porque as letras estavam ali por uma razão, para abrir ou fechar uma vogal, por exemplo”, adiantou. Numa recente passagem por Macau, a presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, reuniu-se com a secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, para discutir a introdução do novo Acordo Ortográfico. Após o encontro disse à Lusa estar convicta de que Macau irá aderir, mas sublinhou não haver, para já, nenhuma informação concreta sobre uma decisão das autoridades da região em relação ao acordo. O Instituto Português do Oriente (IPOR) já iniciou em Macau a formação para a introdução do novo Acordo Ortográfico no ensino do português na região a partir de 2011, quando os manuais escolares adoptarem as novas regras. Os manuais para o ensino do português no estrangeiro adoptarão as novas regras ortográficas a partir de 2011, garantiu a responsável, salientando que, para já, existem conversores ortográficos que podem servir de base à formação em Macau e que foram disponibilizados às instituições locais, a par da formação online do Instituto Camões. Macau é oficialmente uma zona bilingue até 2049, com opção de continuar mais 50 anos. A China é actualmente um dos países onde é maior a procura do ensino do português, segundo dá conta Joseph Levi. “Muitos estudantes querem aprender o português, por razões políticas e económicas, e para nós é sempre um motivo de alegria, enquanto professores de culturas lusófonas, ver este interesse”, afirma. “Angola é uma prioridade para Estados Unidos e China, o Brasil vai sempre ser um gigante, mas se pensarmos não só no número de habitantes, mas de países e opções, temos é um leque vastíssimo [na lusofonia]”, adianta Levi. |
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