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ComunidadesEUA: Professor ensina português a «cantar» na Universidade de DukeSegunda-Feira, 06 Setembro de 2010
Aaron Lorenz, professor de português na Universidade norte-americana de Duke, define-se como “sambista de coração” e é a colocar os seus alunos a cantar, e mesmo a tocar, música popular brasileira que leva a língua aos alunos. Em vez de compêndios, Lorenz chega à sala de aula com um saco de viagem de onde extrai um “reco-reco”, um “pandeiro” e outros instrumentos que distribui pelos alunos, para que marquem o ritmo enquanto ele, na viola, dedilha temas bem conhecidos de Caetano Veloso e Seu Jorge. Foi com um tema de capoeira - «A manteiga derramou» -, arte marcial que ainda pratica, que Lorenz demonstrou o seu método na Conferência sobre o Ensino do Português e Culturas Lusófonas, que decorreu em Fall River, nordeste dos Estados Unidos, no final de Agosto. “Aprendi dessa forma, chegando no Brasil e comunicando. E o meu objectivo para os alunos é que eles vão lá, cheguem e possam comunicar com as pessoas que encontram”, disse à Lusa o professor da universidade situada no estado da Carolina do Norte. Lorenz acredita que este método torna as aulas básicas mais acessíveis e apelativas, mas também nas mais avançadas ajuda a que os alunos “criem laços”. “Quero compartilhar com o aluno, mas também acho que a aprendizagem da música e da língua portuguesa vão juntas. Escutar a música, prestar atenção ao ritmo, rima, provérbios…”. “Sou fanático de provérbios. É uma maneira de comunicar filosoficamente com as maneiras mais humildes de qualquer sociedade”, adianta Lorenz. Depois de um programa de doutoramento de sete anos em Nova Orleães - onde sobreviveu ao furacão Katrina - decidiu focar-se no português brasileiro e também em métodos, cujo ensino está a ser prejudicado pela degradação geral da educação média nos Estados Unidos, considera. “Espero que o mundo lusófono chegue aos norte-americanos, mas a minha impressão é que a educação mediana vai piorando, que a verba que o Governo dá para a educação vai diminuindo. O meu medo é que também o entendimento do mundo global diminua”, afirma. O tempo é de “lutar”, mas, como não poderia deixar de ser para Lorenz, ao som de um samba bem popular. «Canta, canta, minha gente, Deixa a tristeza pra lá, Canta forte, canta alto, Que a vida vai melhorar…». |
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