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Portugal-Chipre: Em piloto automático até ao «acidente»

Segunda-Feira, 06 Setembro de 2010
Questionado sobre a importância da ausência do seleccionado nacional Carlos Queiróz, suspenso de funções, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, afirmou que a equipa jogava em “piloto automático”. Este comentário acabou por, como se costuma dizer, lhe sair pela culatra, depois de Portugal realizar um jogo sofrível e empatar a quatro bolas com Chipre na primeira jornada de qualificação para o Euro’2012.

A selecção portuguesa de futebol deu sequência ao desnorte reinante no seio da Federação e jogou em Guimarães sem ideias e desorganizada, empatando 4-4 com o Chipre, no início da fase de qualificação para o Euro’2012.
Até então com um saldo de 23 golos marcados e 2 sofridos ante o Chi-pre (oito vitórias em oito jogos), Portugal esteve a perder por duas vezes, nunca conseguiu mostrar qualquer sinal de união e apresentou, tão somente, jogadas individuais, isto depois de uma campanha pouco entusiasmante no Mundial da África do Sul.
O golo cipriota no final da partida, com um 4-3 favorável, diz quase tudo sobre o que se passa no futebol português.
No início de uma caminhada que procura a quinta presença consecutiva em Europeus, Portugal foi quase sempre uma equipa ausente, tal como ausentes estiveram o seleccionador Carlos Queiroz, suspenso (assistiu da bancada), Cristiano Ronaldo, lesiona-do, e o presidente da Federação, Gilberto Madaíl, este alegando motivos de doença.
Com Quaresma e Manuel Fernandes de regresso ao “onze” dois anos depois, e com Agostinho Oliveira no papel de seleccionador principal, a  equipa lusa soube, contudo, lutar pela conquista dos três pontos, ainda que, quase sempre, da pior forma possível: fogachos de um ou outro.
Os vários erros ofensivos no final, o desastre defensivo e escolhas que levantam muitas dúvidas, foram as causas de um empate comprometedor, ante a 63ª selecção do “ranking” mundial da FIFA.
Aos três minutos de jogo, o D. Afonso Henriques, com apenas 9.100 espectadores, viu o Chipre marcar em contra-ataque, por Aloneftis, e aplaudiu pela primeira vez aos oito no cabeceamento eficaz de Hugo Almeida, a dar a melhor resposta a um cruzamento de Nani.
Muito defensiva, mas a saber jogar em contra ataque, a selecção cipriota voltou a marcar aos 11 minutos, com Constantinou a aproveitar erro tremendo de Raul Meireles, e, depois de driblar Eduardo, caminhar tranquilamente para o golo.
Nervosos, os jogadores portugueses recuperaram da desvantagem com um fantástico golo de Raul Meireles, aos 29 minutos, num remate de pé esquerdo, mas apenas na segunda parte deram a volta e estiveram a vencer, deixando-se depois cair em mais um erro infantil e digno de uma equipa de escalões inferiores.
Com um meio campo desorganizado, foi, ainda assim, esta zona do terreno a dar o empate, com Danny, aos 50 minutos, a colocar Portugal a vencer por 3-2, sete minutos antes de Okkas voltar a empatar.
Manuel Fernandes, com um remate extraordinário de fora da área, em zona frontal, deu finalmente nova possibilidade a Portugal para vencer, colocando o resultado em 4-3, mas Avraam, aos 89 minutos, empatou e sentenciou a partida.
As alterações impostas, sobretudo as entradas de Liedson e de João Moutinho para os lugares de Danny e Manuel Fernandes, colocaram Portugal mais perto do golo nos instantes finais, e houve até tempo para Hugo Almeida falhar escandalosamente, após assistência de Quaresma, que realizou boa exibição, e para o “levezinho” atirar ao poste, lances já na recta final do encontro e antes do golo de Avraam.

FICHA DO JOGO
Portugal – Chipre, 4-4.
Ao intervalo: 2-2.

Marcadores:
0-1, Efstathios Aloneftis, 3 minutos.
1-1, Hugo Almeida, 8.
1-2, Michael Constantinou, 11.
2-2, Raul Meireles, 29.
3-2, Danny, 50.
3-3, Ioannis Okkas, 57.
4-3, Manuel Fernandes, 60.
4-4, Andreas Avraam, 89.

Portugal: Eduardo, Miguel, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Manuel Fernandes (João Moutinho, 78), Raul Meireles, Danny (Liedson, 61), Nani, Ricardo Quaresma e Hugo Almeida (Yannick Djaló, 84).
Suplentes: Beto, Rolando, Sílvio, João Moutinho, Miguel Veloso, Liedson e Yannick Djaló.

Chipre: Antonios Giorgallidis, Marios Ília (Savvas Poursaitidis, 66), Elias Charalambous, Giorgios Merkis, Andreas Avraam, Marinos Satsias, Sinisa Dobrasimovic, Efstathios Aloneftis (Ioannis Okkas, 56), Constantinos Charalambidis (Marios Nikolaou, 75), Konstantinos Makrides e Michael Constantinou.
Suplentes: Sofronis Augousti, Paraskevas Christou, Ioannis Okkas, Chrysostomos Michail, Marios Nikolaou, Savvas Poursaitidis e George Efrem.

Árbitro: Mark Clattenburg (Inglater-ra).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Elias Charalambous (67).
Assistência: 9.100 espetadores.


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