O Emigrante / Mundo Português
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Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 16:13 (Açores 15:13)
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Dois luso-descendentes ao encontro de Portugal V - Há dias difíceis...

Bianca e Daniel têm 25 e 18 anos, respectivamente. Nasceram e vivem na África do Sul, mas têm em comum as mesmas raízes: são filhos de portugueses e mantêm uma forte ligação à terra dos pais. O Emigrante/Mundo Português está a acompanhá-los e apoiá-los na realização de um «sonho»: percorrer Portugal, ao encontro de uma cultura, de tradições e da História de um povo que também é o deles. Desta vez, Bianca dá conta das dificuldades que surgem a quem está numa cidade que não conhece: como estar na noite de Lisboa e ter um carro com dois pneus furados... ao mesmo tempo. Com a palavra, Bianca Martins...

Como disse Confúcio, “uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo”. Nesta altura estamos bem mais perto do passo 5000 de nossa viagem por Portugal que tem sido gloriosa, mas às vezes difícil. Enfim, uma aventura plena...
Conduzir do lado esquerdo da estrada foi certamente o maior desafio para quem como eu tinha até agora experimentado apenas a condução do lado direito da via, tanto em auto-estradas como em ruas dentro das localidades. E as pequenas ruas calcetadas provaram ser um desafio. Manobrar o carro num beco - que parecia pouco mais largo do que o suficiente para caber uma carroça - para que um enorme autocarro pudesse passar, foi, honestamente, aterrador!
Descobrir que estradas têm apenas uma via e quais as que não têm e tentar encontrar um sinal de trânsito numa rua, pode às vezes ser uma tarefa trabalhosa… que geralmente termina com o condutor a fazer um desvio de cinco quilómetros.
Estes, contudo, não têm sido os nossos únicos problemas quando se trata de conduzir em Portugal.
Danny e eu tivemos um percalço em Lisboa, que não poderíamos ter previsto. Era sábado à noite e vestimo-nos com esmero para aquilo que seria um magnífico jantar fora, mas que se revelou numa aventura que nos deixou sem jantar.

Aventuras em torno de um pneu furado

A caminho das Docas passamos por um beco estreito, um verdadeiro desafio para um motorista novato em Portugal. Seguimos pelo «beco da perdição», ouvimos um barulho, o som desagradável de um pneu a ser esmagado na vala. Pensei inicialmente que a situação estava sob controlo, mas enganei-me. E lá estávamos nós, parados em frente ao excelente restaurante onde iríamos jantar, e com um pneu furado.
Danny tomou conta da situação: tirou o pneu reserva e todo o equipamento necessário, e começou a «trabalhar», com as pessoas no terraço do restaurante a assistirem ao «espectáculo», enquanto bebiam o seu vinho com uma mistura de humor e compaixão. Apesar da boa vontade do Danny, percebemos que não havia nenhuma maneira do pneu sair facilmente.
Começamos a pensar que tudo estava perdido, depois de quase uma hora de esforço, quando um homem veio em nosso auxílio e Bingo! O fim do nosso «calvário» estava à vista e finalmente estávamos novamente no nosso caminho. Mas de volta à estrada, o carro começou a tremer: o pneu reserva também estava furado o que nos causou uma complicação ainda maior. Vimos um posto de abastecimento de combustível que seria a nossa salvação, se não estivéssemos do outro lado e não tivéssemos que atravessar as seis faixas da estrada para lá chegarmos…
Depois de termos caminhado o que pareceu terem sido três quilómetros, passamos uma ponte pedonal e finalmente chegamos à estação de serviço… para ouvirmos, muito consternados, que o homem atrás do balcão não poderia fazer nada. Disse-nos porém para tentarmos ligar à companhia de seguros, a coisa mais óbvia a fazer. Voltamos para o carro, e lá descobrimos os documentos de seguro. Telefonamos e a voz do outro lado respondeu. Pensei: «graças a Deus a nossa situação vai ser finalmente resolvida»; mas depois de anotar os meus dados e obter todas as informações necessárias fez a pergunta mais importante: «onde estão vocês?». Humm, bem, é uma boa pergunta… mas eu não fazia a mais pequena ideia de onde estávamos, até porque eu não sou daqui. A resposta, como se poderia esperar foi: «Bem, se vocês não sabem onde estão, como esperam que o condutor do reboque saiba?» Levamos ainda cerca de uma hora, com chamadas telefónicas sem fim, antes que finalmente víssemos aparecer as luzes da nossa salvação.
Infelizmente, no dia seguinte era domingo e não havia muito que pudéssemos fazer para consertar os pneus - a nossa viagem foi adiada por um dia. Na segunda-feira, com os quatro pneus substituídos e realinhados, estávamos finalmente prontos para seguir caminho. Desta vez para aquele que iria provar ser, de longe, a região mais quente de Portugal: o Alto Alentejo…



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