Quinta-Feira, 23 Fevereiro 2012 - 05:29 (Açores 04:29)
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Dois luso-descendentes ao encontro de Portugal X: Adeus ao Porto
Bianca e Daniel têm 25 e 18 anos, respectivamente. Nasceram e vivem na África do Sul, mas têm em comum as mesmas raízes: são filhos de portugueses e mantêm uma forte ligação à terra dos pais. O Emigrante/Mundo Português está a acompanhá-los e apoiá-los na realização de um «sonho»: percorrer Portugal, ao encontro de uma cultura, de tradições e da História de um povo que também é o deles. Neste artigo, Bianca relata as aventuras vivídas numa cidade “magnífica”, que é “tão bonita à noite, como durante o dia”. Com a palavra, Bianca Martins...
Devo dizer que viajar com «a mochila às costas» dá-nos outra perspectiva, quando se trata de conhecer pessoas e fazer amigos. Acredito que nos torna mais abertos a conhecer novas pessoas e a partilhar novas experiências, que seriam improváveis no nosso próprio país. Uma amizade que poderia normalmente precisar de meses para florescer, pode levar apenas cinco minutos a surgir. Podemos encontrar alguém durante uma longa viagem, de autocarro ou comboio, e antes que nos apercebamos, juntamo-nos para optar por um Albergue da Juventude, para economizar alguns tostões. Foi essa a experiência que eu e Danny partilhamos no Porto, com os nossos novos amigos da Nova Zelândia. Afinal, tínhamos tantas coisas em comum que éramos como peças de um puzzle a encaixarem: tínhamos partido todos do hemisfério Sul - África do Sul e Nova Zelândia, devemos ser os maiores «rivais» no râguebi e, mais importante, falamos todos a mesma língua. Assim, com nossos novos amigos, fomos conhecer a noite do Porto. A primeira paragem foi para um pequeno lanche português - bifana no pão, Sumol e pastéis de nata. Estávamos a ser um bom começo. E não apenas por estarmos a passar uns bons momentos com aqueles personagens divertidos, mas também por termos a alegria de mostrar àqueles estrangeiros um pouco de Portugal e da sua história. Danny e eu fizemos um esforço para nos recordarmos e contar-lhes, todos os fatos e coisas interessantes tínhamos aprendido e vivido. Éramos verdadeiros guias turísticos e parecia que estávamos a fazer um trabalho bastante correcto. Pelas Escadas das Verdades acima… Fomos para a Praça dos Leões, e fiquei admirada com a quantidade de pessoas que ali estavam. Era como se os U2 tivessem decidido dar um concerto gratuito naquela praça. Não eram os U2, mas apenas um camião cercado de jovens que, cerveja na mão, apreciavam com os amigos a noite fantástica. Depois, resolvemos fazer um passeio turístico à noite e visitamos lugares que normalmente são explorados durante o dia: Torre dos Clérigos Câmara Municipal e da Sé do Porto. Descobrimos as Escadas das Verdade, que nos levaram a um dos melhores miradouros da cidade: desde a Sé e, por ali abaixo, até à Ribeira. Depois, descemos o que nos pareceu serem uns mil degraus e aproveitamos para explorar os cantos e recantos que fomos encontrando pelo caminho - as tascas, as velhas senhoras empoleiradas nas janelas, olhando para nós com grandes olhos redondos… Finalmente nós e os nossos novos companheiros, emergimos do labirinto e chegamos à Ribeira. O Porto é uma cidade magnífica. É uma daquelas cidades que é tão bonita à noite, como durante o dia. Há vários locais no Porto, que ganham mais vida, dependendo da hora do dia: pela manhã, a beleza dos edifícios centenários é aparente nas fachadas. A pintura cor-de-rosa e amarela das paredes adornadas com antigos azulejos portugueses, é mais destacada quando o sol está alto. À tarde, quando o sol está prestes se pôr e o rio brilha com toda a sua beleza e a luz cai suavemente, a cidade adquire uma beleza e uma acalmia, que a preparam para a azáfama da vida nocturna. A noite dá à cidade uma dimensão totalmente diferente. As luzes a brilharem no rio Douro, a Sé iluminada na encosta do monte e as famosas pontes, verdadeiros monumentos erguidos sobre a água, tudo isto é magnífico. Uma aventura inesperada… No regresso, quando estávamos a subir as escadas fomos confrontados com uma situação um tanto inesperada e desconhecida para nós até então. Danny reparou que estávamos a ser seguidos por alguém, desde a Ribeira. A princípio achei improvável que estivéssemos a ser perseguidos, mas logo ficamos completamente certos de que realmente estávamos. Aceleramos o passo e apesar de cansados e a suar, começamos a rir. Acho que foram os nervos que causaram aquele inesperado surto de riso. Continuamos a subir as escadas com vigor e se acelerávamos o passo, o nosso perseguidor fazia o mesmo. Às tantas, estávamos praticamente a correr pelas escadas, com o coração a bater acelerado e ainda a rir. A nossa salvação foi o facto do nosso perseguidor estar terrivelmente fora de forma e ter resolvido perseguir quatro jovens na casa dos 20 anos. A nossa última visão dele foi uma figura parada, ofegante e dobrada sobre si. Isso é claro, tornou a situação ainda mais cómica. Acalmamos os nervos, e o riso, e seguimos para o centro da cidade, onde achamos que estaríamos novamente seguros. Regressamos às Galerias de Paris, onde passamos o resto da noite. Às 4h30 decidimos que tínhamos tido o suficiente por uma noite e voltamos para o residencial, onde, afinal, acabamos por ficar apenas por uma noite. É que na manhã do dia seguinte, um dos nossos novos amigos bateu à nossa porta com força: Olhou para nós, atordoado, a dizer que a sua cama estava cheia de pulgas… Como podem imaginar, fizemos as malas e «fugimos dali» mais rapidamente do que quatro gatos correndo num telhado de zinco quente... |
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