Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 16:25 (Açores 15:25)
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VÍTOR MARIANO: Quinze milhões de euros de importação de produtos alimentares portugueses
Vitor Mariano é um empresário de sucesso, no ramo alimentar e bebidas, que chegou a França em 1966, com 20 anos, munido unicamente da sua coragem e determinação. Nascido na vila de Carvalho, concelho da Covilhã, subiu a pulso na actividade comercial sendo hoje um dos mais importantes importadores do que melhor se produz em Portugal, no ramo alimentar e bebidas. Representa em exclusividade grandes marcas portuguesas e contribui para o crescimento da balança comercial nas exportações, já que hoje em dia é cada vez mais necessário que Portugal exporte e os consumidores portugueses no estrangeiro consumam o que o páis produz...
Da venda de mercado em mercado e graças à confiança dos sues clientes a Ets Mariano, é hoje uma holding empresarial de sucesso com grandes armazéns e lojas de venda ao público em Semoy – Orleans , Lyon. Tours, Bordeaux e Cheenneviéres. Este empresário tem feito um trabalho notável por Portugal, o que ainda não foi reconhecido por governo algum português. Continua a ser um homem simples como quando um dia partiu. O “Emigrante/Mundo Português” foi ao encontro de Vitor Mariano, nas suas origens, ou seja na sua terra natal, onde se desloca muitas vezes, para os contactos com as empresas produtoras e que nos recebeu na sua casa, ou seja da terra onde um dia partiu há 45 anos. MP- Apesar de ter mais anos de França do que de Portugal, não esquece o país e a terra que o viu nascer? VM- Um beirão nunca esquece as suas origens e a nossa terra é a nossa terra! Este é o sentimento generalizado dos portugueses emigrados e eu não fujo à regra. Adoro a França o país que me acolheu, mas nunca me esqueci de Portugal e sempre pautei a minha vida empresarial no sentido de promover e vender produtos alimentares produzidos em Portugal. MP- O facto de não ter nascido na Vila de Carvalho, concelho da Covilhã, cidades tão próximas e próximas da Serra mais alta de Portugal continental – Serra da Estrela- ajudou a subir na vida um homem que hoje consegue estar “bem alto” entre os empresários de sucesso que um dia chegaram a França? VM- Talvez, mas inclino-me mais para as dificuldades que se passaram noutros tempos. Nessa altura a região da Covilhã, tinha aqui as fábricas de lanifícios, era um zona de muito trabalho, mas ainda bem que muita gente emigrou, pois hoje essa indústria praticamente desapareceu, e não me arrependo de ter tomado a iniciativa de ter emigrado para França. Emigrei para França, sem qualquer destino certo, cheguei a Paris como todos os portugueses às barracas de Champigny. Chegou como refere à zona das barracas de Champigny, os tristérrimos bidonvilles, local onde hoje tem uma grande base de armazenamento e venda ao público. Jamais imaginaria que um dia, num campo de “barracas” se viesse também a afirmar? É verdade jamais imaginaria, de verdade tenho aí uma base a de Chenneviéres, assim como tenho as outras e alguns armazéns. Comprar produtos alimentares portugueses directamente dos produtores e indústria alimentar e vender em França é aquilo que faz há muitos anos. A que se deve o crescimento do negócio? Deve-se a muito trabalho e gosto naquilo que faço. O “barco” tem 45 funcionários, milhares de clientes consumidores por toda a França e, nas nossas lojas e nos armazéns pode-se encontrar tudo o que é produto alimentar português das melhores marcas nacionais. Mas não teria sido fácil se atendermos que em Portugal nesse tempo poucas empresas estavam com olhos na exportação, seria impensável vender cerveja portuguesa em França, por exemplo... De verdade não foi fácil, pelas razões que aponta mas também, porque os produtos alimentares portugueses não eram conhecidos. Nos anos 80, em França pouco mais se conhecia além do bacalhau, as azeitonas e o garrafão do vinho. Foi um dos pioneiros da internacionalização dos produtos alimentares portugueses em França. Hoje o problema da visibilidade e do conhecimento do que Portugal produz é menor, e refiro-me aos consumidores franceses e de outras nacionalidades, já que o vendemos já ultrapassou há muito só o “mercado da saudade”. Continuamos a ter o nosso cliente tradicional, o português, que são as “nossas bandeiras” e, graças a eles o francês hoje já dá boa preferência a produtos portugueses. Isso noto bem porque nas diversas bases temos lojas de venda ao público e nas prateleiras os produtos são levados pelo consumidor global. Diz que hoje os produtos alimentares portugueses em França são bem conhecidos, os vinhos, os azeites e tantos outros. Foi um trabalho de afirmação dos organismos governamentais, ou ao seu trabalho e de tantos outros que enveredaram por esta actividade comercial? Isso deve-se mais ao trabalho do Ets Mariano e dos meus colegas. Os governos nunca nos ajudaram e hoje quando o Presidente da República diz que a “tábua de salvação” está na exportações, isso deveria estar sempre presente em qualquer programa de governo e a promoção do que Portugal produz neste ramo tão competitivo, deve ser uma constante, em que todos os que importam produtos alimentares portugueses, devem ser parceiros neste projecto. Representa muitas marcas portuguesas em exclusividade? Posso dizer que represento as principais marcas e são muitas, desde a José Maria da Fonseca, João Portugal Ramos, Carmim, Caves Casalinho e Caves dom Teodósio, Adega de Monção e Ponte de Lima, Adega do Redondo, Sandeman, Sogevinhos; Sogrape, isto nos vinhos. Nas cervejas a Unicer com a conhecida marca Super Book, Sumos da Sumol+ Compal. Temos depois o bacalhau, a Beira Serra a Ferraz e Ferreira em queijos e congelados, a Lactovil a Monforqueijo, o atum Ramirez a Ferbar em doces chocolates e conservas de fruta a Imperial a Milaneza os produtos da Nobre, Cafés Silveira, massas da Triunfo, entre outras. Isto não quer dizer que amanhã não venha a trabalhar com mais ou outros. E o futuro, vai ainda abrir mais lojas, e ter mais bases de distribuição pela França ou o negócio já está consolidado e o crescimento vai ser feito à base do aumento de vendas? Parar é morrer e eu com 65 anos, vou continuar. O Grupo empresarial está consolidado em termos de sucessores, pois tenho na família os que irão dar continuidade a este projecto, os meus dois filhos e os cinco netos. Também tenciono montar uma plantaforma logística aqui na zona Industrial da Covilhã/Tortosendo. O jornal Emigrante/Mundo Português foi pioneiro a criar a primeira e única feira em Portugal dedicada só à exportação de produtos alimentares portugueses no estrangeiro o SISAB. Hoje o evento junta compradores de todo o mundo. Vitor Mariano esteve presente desde a primeira edição e assiste-se “à guerra” entre os expositores presentes para o ter nos seus stands. É uma prova da sua força importadora? Isso deve-se ao facto de que as marcas que represento ou importo levo-as sempre ao mais alto patamar de vendas. É bom para as duas partes. Depois quando compro é para pagar, e não há fornecedor que se possa queixar de mau pagamento. Gostaria de comprar a todos os presentes, de abrir as portas a todos os que vão ao SISAB, mas como sabe são muitos e não posso representar ou comprar a todos os que ali vão. Mas há sempre novos produtos, novidades, novos fornecedores ou produtores e as portas nunca estão fechadas a ninguém. O SISAB continua-se a mostrar um evento com interesse para os Ets Mariano? O SISAB é a única feira em Portugal de produtos portugueses virada para a exportação, por isso estarei sempre presente. Bem organizada, com cada vez mais fornecedores presentes. Em três dias eu consigo fazer encomendas e trabalho que me levaria a ir várias vezes a Portugal, já que em negócios o contacto é o mais importante e ali temos os principais fornecedores e produtores do ramo alimentar. São três dias de trabalho, mas diria que se fossem quatro, melhor seria, pois é apertado para o nosso Grupo em três dias visitar e estar com todos os expositores presentes e descobrir novos parceiros, novas marcas, produtos etc. De tempos a tempos tenho que vir a Portugal e se não fosse o SISAB mais vezes teria que vir, e em vez de um deviam era ser feitos dois SISAB´s em datas diferentes. Quanto é que vale em compras o Ets Mariano? Os Ets Mariano compram a Portugal muito perto de 15 milhões de euros e isso é o que vale em importações, de Portugal, a minha empresa. O sector de bebidas é o que tem maior peso. |
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