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Nos Açores as mulheres lançam mais negócios em epoca de crise

Terça-Feira, 25 Outubro de 2011
O número de mulheres que abrem negócios próprios tem crescido nos Açores, criando pequenas empresas de serviços de limpeza ou lojas de flores, mas também lançando projectos inovadores que aproveitam a crise, como micro-empresas de recuperação de créditos.

“Elas arriscam cada vez mais, temos um crescimento, ainda que não muito elevado, no número de mulheres que se lançam por conta própria em pequenos negócios”, revelou Célia Pereira, coordenadora geral da Cooperativa Regional de Economia Solidária (CRESAÇOR) em declarações à Lusa. Célia Pereira, que falava em Ponta Delgada à margem de um seminário sobre a presença feminina no mundo dos negócios, salientou que os cursos de formação em empreendedorismo promovidos pela CRESAÇOR indicam que “as mulheres estão a aproveitar as novas oportunidades de negócios e têm demonstrado cada vez mais pró-actividade para aumentar as habilitações académicas e criar novas competências”.
“Em todas as turmas registou-se sempre a criação de empresas e pequenos negócios, a maioria deles criados por mulheres”, frisou, acrescentando que surgiram empresas de jardinagem, flores e serviços de limpeza, mas também na área da recuperação de crédito vencido, “uma ideia inovadora, que aproveita a crise para lançar um novo negócio”. Célia Pereira recordou, no entanto, que as mulheres ainda ocupam uma posição inferior aos homens no mercado de trabalho, defendendo que se trata de “um estigma que urge ultrapassar através da mudança de mentalidades”.
No mesmo sentido, Gilberta Rocha, directora do Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores, frisou que os homens continuam a ocupar cargos mais altos e são mais bem remunerados, salientando que se trata de “uma diferença que não tem melhorado nas pessoas mais qualificadas”.
“A diferença é mínima no pessoal menos qualificado mas, nas pessoas mais qualificadas, os homens tem mais cargos de chefia e mais bem remunerados, independentemente de terem maior ou menor qualificação que as mulheres”, afirmou. Gilberta Rocha salientou que “os ganhos do trabalho nas mulheres têm aumentado”, mas salientou que esse crescimento “continua a ser menor do que o dos homens”, defendendo, por isso, a importância do espírito empreendedor feminino.



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