França: Triplicaram as bolsas de estudo para luso-descendentes

Terça-Feira, 16 Outubro de 2012
No ano letivo que se iniciou, triplicou o número de candidatos às bolsas de estudo que a embaixada de Portugal em França atribui a luso-descendentes no ensino superior. As bolsas são distribuídas com o patrocínio da Secretaria de Estado das Comunidades e de privados.

No ano letivo de 2011/2012, houve 50 candidatos para 50 bolsas. Este ano, o júri teve que analisar o triplo das candidaturas: 150 alunos concorreram às 53 bolsas disponíveis, cada uma no valor de 1.600 euros. Para Jorge Portugal Branco, da embaixada de Portugal em Paris e membro do júri que analisou as candidaturas, este aumento “é um sinal claramente positivo”. O sociólogo destacou o facto de “as candidaturas (serem) cada vez mais diversificadas” e lembrou que, sendo o sistema de atribuição destas bolsas “antigo”, é “cada vez mais conhecido”.
As bolsas foram atribuídas a estudantes das mais diversas áreas, desde Economia, Engenharia, Gestão e Comércio, a Direito, Comunicação, Música, Enfermagem e Medicina. A diversidade verificou-se também no nível académico: de Licenciaturas a pós-Doutoramentos.
Anne Sophie de Azevedo, 25 anos, estudante de Enfermagem, foi a primeira a receber aplausos e um cheque. Contou depois à Lusa que nasceu em França, filha de portugueses naturais da Madeira, estudou Sociologia e Antropologia, mas quis voltar à escola. “Já não vivo em casa dos meus pais, já estudei alguns anos”, disse. Este dinheiro, acrescentou, “é uma grande ajuda” porque vai evitar que tenha que conjugar a carga horária do curso de enfermagem com um emprego de fim-de-semana.
Para Miguel Abolivier, de 20 anos, estudante de Ciência Política, o apoio vai ajudar nos custos de alojamento e nas deslocações a conferências, durante o ano letivo. Este filho de pai francês e de mãe portuguesa, de Viseu, considera que a iniciativa “desenvolve a relação entre os luso-descendentes e Portugal”.
A falar pelo embaixador de Portugal em Paris, Ana Paula Vicente saudou o “gesto de profunda simpatia” dos privados que cofinanciaram a iniciativa “apesar da crise”.
Luís Castelo Branco, da administração do BCP, que assegurou 15 das 53 bolsas hoje atribuídas, disse à Lusa que, apesar da conjuntura económica, o banco considerou que “o esforço vale a pena”. “Pensamos, por um lado, que temos uma obrigação social, e, por outro lado, [que este gesto] é uma forma de apostar no futuro. Uma comunidade portuguesa com formação tem uma força completamente diferente”, acrescentou.
As 53 bolsas de estudo atribuídas foram patrocinadas pelos bancos BCP, Espírito Santo e de la Vénétie, Caixa Geral de Depósitos, pela seguradora Fidelidade Mundial, pela distribuidora de papel INAPA e pela Secretaria de Estados das Comunidades Portuguesas.