O segundo avião Hércules C-130, da Força Aérea Portuguesa, com 12 toneladas de carga para a ajuda às vítimas do sismo no Haiti, aterrou no aeroporto da capital haitiana às 0h30 de Lisboa.
O avião tinha partido na segunda-feira à tarde de Caracas, com 21 pessoas, todas portuguesas - 15 militares, cinco bombeiros, um dos quais médico, um técnico especialista em sistemas de purificação de água da organização não-governamental ADRA (Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência) e um jornalista.
Da ajuda enviada, quase quatro toneladas vieram de Portugal. Seguem também seis toneladas de água comprada pela embaixada de Portugal na Venezuela, que não especificou qual o material perfaz as restantes duas toneladas, mas o jornalista da Lusa viu alguns sacos de massa e farinha.
A carga inclui medicamentos, 180 mil pastilhas purificadoras de água, material para montar e equipar o campo de desalojados e equipamento para aumentar a capacidade do posto médico avançado do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da equipa da Assistência Médica Internacional (AMI).
Seguem ainda duas máquinas para purificar a água, enviadas pela Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência (Adra-Portugal).
“Nós levamos uns purificadores para fazer a purificação da água contaminada. (...) Esperamos conseguir fazer uma tiragem de 84 litros por minuto de água potável e durante um mês minimizar o sofrimento de 12.000 pessoas que estão sem água potável”, esclareceu à Agência Lusa Lusa, o porta-voz da organização.
Fernando Ventura, que viajou no avião Hércules C-130, revelou que a missão da Adra-Portugal no Haiti consiste ainda em tentar realojar as pessoas que viram destruídas as suas habitações, criar infraestruturas e condições adequadas nesta fase em que precisam de tudo,"para que depois possam continuar as suas vidas”.
Explicou que a Adra é uma organização não governamental com delegações em 125 países, tendo chegado a Portugal há 18 anos. Normalmente, actua em situações de "catástrofe” tendo estado em missão no Sri-lanka. “Cerca de 90 por cento dos donativos destinam-se a actividades como esta”, frisou.
O Haiti, principalmente a capital, Port-au-Prince, foi devastado em 12 de Janeiro por um sismo de magnitude 7,0 na escala de Richter que, segundo números oficiais provisórios, causou até agora 150 mil mortos e deixou cerca de um milhão de desalojados.O sismo é considerado a maior catástrofe que já atingiu o país mais pobre do continente americano nos últimos 200 anos e também a maior tragédia para a ONU, com 47 funcionários da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) mortos e 500 dados como desaparecidos.