Rui Jorge está em Andorra há sete anos e não se lembra de outro acidente de trabalho tão grave como o ocorrido a 7 de Novembro de 2009 e que vitimou cinco operários portugueses que trabalhavam na obra de construção do túnel Dos Vallires.
Trabalhador na construção civil no Principado, deslocou-se ao local da obra para acompanhar a cerimónia e nem o frio intenso que se fazia sentir o demoveu do seu lugar.
“Vim para ver o Presidente, mas também por todo o simbolismo da cerimónia”, explicou a O Emigrante/Mundo Português.
Diz que “nunca tinha acontecido algo tão forte” como o acidente que vitimou os cinco portugueses, dois deles residentes no Principado e três funcionários da empresa portuguesa que trabalhava em sub-empreitada para a construtora espanhola responsável perla obra.
Sobre a possível causa do acidente, disse que os portugueses não têm uma opinião formada e sublinhou que “normalmente há condições de segurança nas obras no Principado. “As empresas estão sempre a chamar a atenção dos operários para que se cumpra as normas de segurança, porque elas são as responsáveis”, sublinhou, recordando que nos primeiros dias após o acidente, recearam que lhes “acontecesse algo também”.
Rui Jorge ainda esperou mais algum um tempo até à chegada do primeiro-ministro de Andorra, Jaume Bartomeu, e de Aníbal Cavaco Silva, e das restantes autoridades andorranas e portuguesas.
O chefe de Governo andorrano e o Presidente português descerraram juntos uma placa na qual se lê «Em memória das vítimas do acidente laboral na construção do túnel Dos Vallires», colocada num local ligeiramente acima da zona da obra que ruiu com o acidente, e que se mantém selada, à espera da conclusão do inquérito às condições de segurança.
“Estamos aqui para recordar a coragem e a força de homens empreendedores e profissionais especializados que no seu trabalho para modernizar Andorra e fazê-la progredir, aqui deixaram a vida”, destacou Jaume Bartomeu, no discurso.
O governante referiu que “estas feridas” recordam a fragilidade e a condição humana e “mantêm-se para sempre entra as recordações mais pessoais” e encorajou as famílias e os amigos das vítimas a “seguir em frente, lutar, construir e não desistir”.
“Não podemos apagar o passado, mas podemos corrigir o futuro”, sublinhou.
Ana Grácio Pinto - Em Andorra
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