“O próximo líder não pode ser mais um, quem vier a exercer a liderança que a exerça com pulso forte”, apelou Santana Lopes, perante o XXXII Congresso do partido, em Mafra.
Sem dizer que candidatura apoia, Santana remeteu para mais tarde uma intervenção “muito curta” onde fará uma apreciação dos vários candidatos à presidência do PSD.
Numa intervenção muito aplaudida, o ex-primeiro ministro sublinhou que o PSD só ganhou quando se mostrou unido, dando como exemplos o referendo do aborto e da regionalização em 1998 e as autárquicas de 2001, que culminaram na demissão de António Guterres, e posterior regresso do PSD ao poder.
“Em 2004 começaram as desuniões, a partir do momento em que substituí Durão Barroso foi a divisão que se sabe, desde aí a divisão não parou”, lamentou.
Para Santana Lopes, “o principal problema que o partido tem de enfrentar é saber se é legitimo, adequado que militantes do partido prefiram que ganhem adversários do que ganhem os seus próprios companheiros”.
Sem referir nomes, o ex-líder do PSD lembrou que, em 2006, quando perdeu as directas contra Manuela Ferreira Leite (em que também concorria Pedro Passos Coelho) colocou-se imediatamente ao lado da nova líder.
Para evitar que se voltem a repetir ataques internos aos líderes do PSD, Santana Lopes incluiu na sua proposta de alteração estatutária que é uma infracção grave “falar contra os órgãos dirigentes do partidos nos 60 dias antes de eleições”.
Na sua intervenção, Santana Lopes saudou Ferreira Leite, considerando que exerceu o seu mandato “com sentido de honra e rectidão”, embora considerando que não conseguiu no seu mandato todos os objectivos a que se propunha.
Também o presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, mereceu uma palavra elogiosa de Santana Lopes, uma tónica repetida em vários discursos de congressistas.
Advertindo para o perigo do PSD ser ultrapassado nas urnas por outros partidos – “com o CDS a passar às cavalitas por cima de nós” – Santana defendeu algumas ideias que apresentou num texto ao congresso: a possibilidade de o Presidente da República presidir ao Conselho de Ministros, a existência de duas câmaras no Parlamento ou a introdução de círculos uninominais.